09 de julho de 2026
Internacional

Afegãos deixam aeroporto após 5 meses

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Guarulhos - Uma salva de palmas encerrou, ao menos por enquanto, um drama que se desenrolava há várias semanas no maior aeroporto do Brasil e da América do Sul. Dezenas de famílias afegãs que dormiam no chão do mezanino do terminal 2 do aeroporto internacional de Guarulhos aplaudiram quando receberam a notícia de que iriam para um abrigo na tarde desta sexta-feira (16).

São refugiados que fugiram do país dominado pelo Talibã e que, impedidos de viajar para praticamente qualquer país do mundo, viram no Brasil uma saída, devido a um visto humanitário criado pelo governo para pessoas dessa nacionalidade. Depois de meses esperando pelo processo burocrático no Paquistão ou no Irã -os dois países com embaixada brasileira mais próximos-, muitos esgotaram seus recursos e chegaram sem poder bancar um lugar para ficar.

DESDE ABRIL

O acampamento de afegãos existe desde abril, quando as primeiras famílias começaram a se instalar lá. Alguns deles foram abrigados por entidades da sociedade civil, mas todo dia chegam novos voos, e o número cresceu até atingir a 98 nesta sexta (16).

Entre os que dormiam nas barracas improvisadas com lençóis e cobertores, havia uma grávida de 9 meses e muitas crianças, algumas delas, bebês. Muitos estavam sem tomar banho há mais de uma semana, pois o acesso ao chuveiro do aeroporto custa R$ 60.

A notícia de que imigrantes vindos de um contexto tão crítico estavam vivendo dessa forma precária se espalhou, e a repercussão na imprensa e nas redes sociais acabou levando à ação das autoridades.

Nesta semana, foram feitas reuniões entre o Ministério Público Federal e órgãos públicos e da sociedade civil, e uma articulação levou à abertura de cem vagas em um hotel da prefeitura na Penha, zona leste da cidade.

VOLUNTARIADO

Até agora, eles vinham sendo ajudados por voluntários, que levaram brinquedos, roupas e cobertores. A mais presente era a ativista Swany Zenobini, que desde 19 de agosto dormiu várias noites no aeroporto e fez barulho nas redes sociais, expondo a situação. Nesse período, ela arrecadou doações, levou mulheres grávidas para passarem por pré-natal e conseguiu atendimento médico para uma afegã que teve um sangramento.

GOLPISTAS

Especialista na área de migração, o defensor público federal João Chaves, também estava no aeroporto nesta sexta. "Em muitos anos trabalhando com essa temática, poucas vezes vi uma situação de tanta vulnerabilidade", disse ele. Chaves recebeu relatos de que havia golpistas indo ao local para oferecer regularização documental, que é gratuita, por até R$ 1.000. Ele ressalta que refugiados nessa situação correm risco de aliciamento para trabalho escravo e tráfico de pessoas.