11 de julho de 2026
Política

Pesquisas eleitorais: metodologias diferentes explicariam disparidade

Tania Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

Faltando 15 dias paras as eleições, as diferenças nos resultados das pesquisas de intenção de voto para os candidatos à Presidência da República, governador e senador, por vezes, levam o cidadão e eleitor a questionar a credibilidade dos números. O especialista em marketing político e comunicação eleitoral Kleber Santos explica que a metodologia de trabalho utilizada pelos institutos pode gerar as disparidades nos resultados. Este foi um dos assuntos tratados na edição desta sexta-feira (16) do programa Café com Política, que contou com a apresentação do economista Reinaldo Cafeo, da jornalista Lorena Fagundes e a participação especial do ex-vereador de Bauru Primo Mangialardo.

Na opinião de Primo Mangialardo, as pesquisas não refletem totalmente a opinião das pessoas e, em uma expectativa de resultado, é sempre preciso considerar que os números divulgados durante as campanhas podem surpreender. "Política e pesquisa andam juntas e não de forma paralelas. Estão na mesma estrada. Como cidadão e eleitor, acho que é uma coisa incongruente, porque não retratam aquilo que a gente vê na rua", opinou.

Mas Primo concorda com a opinião do especialista Kleber Santos de que o eleitor é emocional e nestas eleições os efeitos da crise no bolso e na mesa de cada vão definir o resultado. "As pessoas estão sentindo no estômago. Os preços estão absurdos e as pessoas estão desesperadas", avaliou Primo.

METODOLOGIA

Kleber relatou que as diferenças são explicadas pelas escolhas metodológicas de cada instituto e que a escolha da base de trabalho (amostragem sócio-econômica) de cada um ocasiona pesos diferentes para cada seguimento pesquisado, gerando as diferenças nos resultados. "O que a gente tem visto é a diferença muito grande em relação á metodologia. Tem a questão do telefone, por exemplo. O eleitor do (presidente Jair) Bolsonaro diz que vota nele (se entrevistado) por telefone, mas não ao vivo, porque é o voto chamado de envergonhado. E o (ex-presidente) Lula teria maior apoio que Bolsonaro entre eleitores sem telefone porque ele diz que o perfil do eleitor do petista é de, na maioria, não ter telefone. Outra coisa é a sequência das perguntas. Dependendo da forma que o instituto coloca as perguntas, pode induzir. Isso influi bastante", explicou Kleber.

DISPUTA ESTADUAL

Os participantes também debateram sobre o resultado das pesquisas para a disputa do Governo do Estado, que mostram a permanência do ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT) na liderança nas intenções de voto, mas com o crescimento da candidatura do atual governador Rodrigo Garcia (PSDB), que empatou tecnicamente com Tarcísio Freitas (Republicanos) em algumas pesquisas.

Para Primo, embora haja rejeição à candidatura do petista no Interior, seu bom desempenho reflete a avaliação de seu nome na Capital do Estado. "O eleitor da Capital, além de gostar, pede votos para ele", avaliou.

Já Kleber pontuou que o voto mais consolidado, de acordo com as pesquisas, é o de Tarcísio de Freitas, pois cerca de 70% dos seus potenciais eleitores afirmam que não mudam o voto.

ASTRONAUTA

Na disputa para o Senado, os participantes do programa avaliaram que dificilmente a única vaga por São Paulo não será ocupada pelo ex-governador Márcio França (PSB), já que as últimas pesquisas apontam que ele tem 34% das intenções de voto, sendo que o segundo colocado, o astronauta Marcos Pontes (PL), tem por volta de 15%.

Porém, Reinaldo Cafeo ponderou que as mesmas pesquisas mostram que já existe uma migração dos eleitores da terceira colocada na corrida, a ex-deputada estadual, Janaína Paschoal (PRTB), para a candidatura de Marcos Pontes.

RETA FINAL

Na reta final da campanha, o especialista em marketing político e comunicação eleitoral Kleber Santos acredita que os candidatos devem mudar sua postura e priorizar a fixação de suas imagens, sem mais agressões entre adversários. "Quem ataca perde. Esta técnica de atacar, o eleitor não quer mais. Este é o momento do candidato dar motivos para o eleitor votar, para que ele entenda quem é a melhor escolha, quem vai ajudá-lo mais, quem vai trazer a sua qualidade de vida. O eleitor está observando, além da imagem do candidato, com quem ele vai ganhar mais", avalia Kleber Santos.