Nesta última sexta-feira, acompanhando pelas redes sociais a sessão da Câmara Municipal de Bauru que pretendia votar a cassação ou não da prefeita Suéllen Rosim, confesso que me assustei com a falta de objetividade manipulada nos bastidores.
Oriunda do meio televisivo, nossa prefeita iniciou transformando a sessão em um espetáculo midiático. Sua postagem dava a entender que estava sendo perseguida em uma luta política da direita contra a esquerda, do "bem" contra o "mal", entre "nós" e "eles".... E, na sequência, vinham os leigos e os míopes comentando: "Deus está no controle!", "Deus é justo e está a seu lado." (arrastando o debate para o lado religioso)... E depois: "Ah, mas e Fulano?" "E o Cicrano?" (tentando levar o julgamento para o debate político). E, assim, tanto a prefeita quanto seus apoiadores tentavam a todo custo desviar o foco dos fatos.
Uma investigação, por si só, é um ato legítimo. É o simples direito do povo saber como está sendo gerido o dinheiro de seus impostos. E é por isso que se garante ao investigado(a) o direito reverso da ampla defesa. Isso não tem nada a ver com política ou com religião.
A prefeita não está sendo investigada por ser "de direita" ou por ser evangélica. Essas são particularidades dela, escolhas pessoais... Ela está sendo investigada e julgada pela prática de atos que configuram, em tese, improbidade administrativa. Pouco me importa a sua fé ou a política de administrações passadas... Estamos falando do hoje e queremos os fatos analisados sob a ótica da legalidade.
É isso que, como cidadãos, temos o direito de questionar e saber. E esse questionamento se resume a 3 perguntas muito básicas: 1) Esses quase 35 milhões (verba da Educação) foram utilizados dentro dos princípios da Administração Pública? 2) Isso trouxe prejuízo ao erário e, consequentemente, à população? 3) A prefeita foi responsável por esses atos por dolo (intencionalmente) ou por culpa (negligência, imprudência ou imperícia)?
Só isso. Nada mais.
Absolutamente, nada mais! É sobre essas três questões que gostaríamos de ver a prefeita apresentando uma defesa técnica... provas concretas... pronunciamentos sérios... e não uma postura vitimizada e a espetacularização do julgamento para a "torcida"... É sobre essas três questões que gostaríamos de ver nossos vereadores votando com imparcialidade - subordinados à lei e não ao "compadrinho" político ou à irmandade de crença...
A lei pode ser branda ou rígida... mas será sempre justa quando imposta a todos. Por isso, deixem a política fora disso! Deixem a religião fora disso! Atenhamo-nos aos fatos...
Apenas os fatos!