09 de julho de 2026
Viver Bem

Crianças estão cada vez mais hipertensas


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Nove de cada dez casos de pressão alta em crianças e adolescentes estão ligados à falta de atividade física, a dietas ricas em sal e açúcar e ao excesso de peso. É o que aponta estudo feito por especialistas da Sociedade Europeia de Cardiologia, divulgado no European Heart Journal, conforme reportagem da Agência Einstein publicada na revista Crescer. O documento apresenta dados de crianças e jovens entre 6 e 16 anos e recomenda mudanças de hábitos para que as famílias fiquem saudáveis juntas. Segundo os autores, os pais são agentes fundamentais para que essa modificação ocorra.

A identificação da hipertensão arterial em jovens é complexa e envolve parâmetros e padrões que divergem de acordo com o médico. Por conta disso, especialistas em cardiologia fizeram uma revisão da literatura e das evidências atuais para compilar e tentar se aproximar de um consenso.

"Existiam diretrizes de diversas sociedades médicas, mas esse assunto nunca tinha sido muito normatizado. Então, eram entendimentos diferentes. Esse documento vai facilitar o diagnóstico e o tratamento de crianças e adolescentes de forma mais padronizada", explica Gustavo Foronda, cardiologista pediátrico do Hospital Israelita Albert Einstein.

Ele lembra que os fatores de risco cardiovascular na infância não eram muito valorizados pelos profissionais de saúde. Assim, a pessoa só começaria algum tratamento na idade adulta, quando já estivesse com alguma comorbidade. "Esse conceito foi mudando totalmente com o passar dos anos. A gente sabe que toda e qualquer doença cardíaca no adulto começa na faixa etária pediátrica: hipercolesterolemia, hipertensão, obesidade. Tudo isso leva a um risco cardiovascular maior no adulto se você não tratar na infância", alerta Foronda.

Estima-se que 2% das crianças com peso normal sejam hipertensas, contra 5% das com sobrepeso e, entre as com obesidade, o índice chega a 15%. Além disso, o artigo também afirma que a hipertensão e a obesidade no público infantil estão se tornando cada vez mais comuns (especialmente a obesidade abdominal, a mais perigosa para a saúde do coração).

"Hoje, qualquer criança ou adolescente vai à cantina da escola e compra o que quer. Isso obviamente permite que eles escolham uma alimentação mais palatável, que é o fast food. Nitidamente temos uma piora alimentar muito grande nos últimos anos e, por isso, os níveis de obesidade estão explodindo. Consequentemente os níveis de pressão arterial também", alerta o médico.

Segundo os especialistas, o diagnóstico precoce da hipertensão infantil é fundamental para que ela possa ser controlada apenas com mudança no estilo de vida. Por se tratar de um problema assintomático e silencioso, é recomendado que a pressão arterial da criança seja avaliada ao menos uma vez por ano na consulta com o pediatra.