09 de julho de 2026
Geral

Nações X Nuno é campeã de acidentes por 10 anos e pode ter 'olho eletrônico'

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 4 min

Importantes "artérias viárias" de Bauru, as avenidas Nações Unidas e Nuno de Assis são usadas diariamente por milhares de motoristas. Tamanho fluxo, contudo, merece um alerta. Dados da Emdurb mostram que o cruzamento dessas duas vias, no Centro, tem sido, ano após ano, o ponto campeão de acidentes na cidade há, pelo menos, uma década. Diante desse problema crônico, a empresa municipal afirma que estuda implantar semáforos com câmeras no local. Os "olhos eletrônicos" teriam como objetivo evitar infrações pelos condutores e, assim, frear o grande volume de ocorrências.

Neste domingo (18), quando se inicia a Semana Nacional de Trânsito (leia mais logo abaixo), o JC propõe uma reflexão com autoridades, especialistas e motoristas para tentar entender o porquê - ou porquês - esse entroncamento segue em primeiro lugar no "pódio" de acidentes por tanto tempo.

Entre as respostas, acredita-se que o "fator humano" pesa muito nessa questão. Contudo, a própria estrutura viária do cruzamento também favoreceria tantos registros, uma vez que ele tem mais de 30 pontos de conflito (com perigo de possível colisão).

O fato é que, multifatorial, o contexto enseja mais atenção de condutores e também soluções do poder público.

DADOS

A pedido da reportagem, a Emdurb realizou um levantamento com dados de 2013 até a última segunda-feira (12).

Para se ter ideia, o estudo aponta que, durante esse período, foram registrados 277 abalroamentos somente neste cruzamento (veja no quadro). Felizmente, a maioria dos choques é sem vítimas e nenhuma ocorrência terminou em morte.

Vale ressaltar que essa estatística oficial não abrange muitas outras pequenas colisões, que, por várias vezes, sequer são registradas pelos motoristas em boletim de ocorrência (BO). Então, o número real de casos tende a ser ainda maior.

'FATOR HUMANO'

Mas, o que explica essa elevada quantidade de acidentes no entroncamento há, pelo menos, uma década? Para o engenheiro e gerente de Infrações de Trânsito da Emdurb, Fausto Cezar Bertozo Tigre, a questão não está relacionada à sinalização, que, segundo ele, é adequada para as várias conversões possíveis no cruzamento.

"É um trecho bastante movimentado. E onde há grande número de veículos aumenta a probabilidade de acidentes. Mas, acredito que o problema do ponto, na verdade, é o fator humano. Condutor que dirige com pressa, mexendo no celular, desatento, sem respeitar as regras de trânsito, e acaba causando uma colisão por conta disso. Porque, ali, os movimentos não são conflitantes, por conta dos semáforos", analisa Tigre.

Além disso, para o engenheiro, a tentativa de algumas pessoas de reduzir o tempo de espera no semáforo, dirigindo pela "transversal", também pode estar relacionada ao grande número de choques. "Ao invés de avançarem quando o seu semáforo fica verde, eles observam o semáforo da outra via e avançam quando aquele está amarelo, e o seu ainda está vermelho. Mas, o motorista que está naquela via pode decidir não parar no amarelo, resultando em um acidente que poderia ter sido evitado se as regras tivessem sido respeitadas", alerta.

E é exatamente por isso que a empresa municipal informa que o entroncamento pode receber semáforos com câmeras. A implantação desses equipamentos, entretanto, ainda está na fase de estudos, completa a Emdurb.

SEMÁFORO

As percepções sobre as dificuldades deste ponto e o fator humano são compartilhadas pelo comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PM) de Bauru, o capitão Thiago Francisco dos Santos. Ele, inclusive, afirma que, das multas graves e gravíssimas, a mais aplicada na cidade é justamente a de motoristas que avançam no sinal vermelho, seguida pela falta do cinto de segurança e pelo uso de celular ao volante.

"Para evitar qualquer infração de trânsito e até mesmo o excesso de velocidade no trecho, cujo limite é de 60 quilômetros por hora, nós tentamos manter a presença de uma viatura no local, principalmente nos horários em que detectamos maior número de incidentes", pondera o capitão.

ESTUDO DOS NÚMEROS

A ação da PM ainda é complementada pela Operação Presença, executada por agentes de trânsito (GOT), da própria Emdurb, no entroncamento. "Também vamos solicitar maior aprofundamento desses dados para ver se as ocorrências diminuem com a presença dos agentes e, assim, traçar estratégias para verificar em quais horários a permanência deles é mais indicada, visando reduzir os acidentes. Mas, claro, a redução só será possível se houver conscientização dos motoristas e respeito às leis de trânsito", conclui o engenheiro Fausto Tigre.