08 de julho de 2026
Articulistas

Primavera

Luiz Alberto Coradi
| Tempo de leitura: 2 min

Ontem começou a primavera no hemisfério sul. É o Equinócio da Primavera, dia em que o sol encontra-se alinhado com o Equador e o dia e a noite têm a mesma duração (12 horas).

A "Estação das Flores" não chega para nós, país tropical, com a mesma exuberância com que brinda os países de clima temperado, com estações bem definidas.

Marcados por outras características que nos tornam conhecidos e até discriminados como "país do mais ou menos", a primavera é um exemplo a nos mostrar que a natureza também nos impõe essa pecha, da qual quase não temos como nos defender.

Se além de termos uma democracia mais ou menos, uma justiça social bem mais ou menos, educação, saúde e segurança idem, políticos nem se fale, e por aí vai, ainda temos que nos conformar com um clima mais ou menos.

Aliás, talvez a culpa dessas nossas mazelas sociais seja exatamente dele, o nosso clima. Essa é uma tese bastante aceita e que seria "comprovada" pelo fato de não existir uma só nação desenvolvida no mundo que esteja localizada entre os trópicos.

Talvez a fábula da cigarra e da formiga explique essa nossa relativa indolência, por alguns vista até como subentendida no "deitado eternamente..." do nosso hino. Mas, como hoje é primavera, nem tudo são espinhos. Temos flores também!

Nosso clima, digamos, mais suave, nos permite economia de energia em invernos mais amenos, sem os percalços que se vislumbram na Europa nos próximos meses sem o gás russo. Nossos jardins podem não ser são tão exuberantes, mas podemos cultivá-los o ano todo, assim como nossas hortas e pomares.

Nossa agricultura mostra toda a sua pujança durante os 12 meses do ano, produzindo de tudo e com eficiência. Aqui um parêntese não muito agradável: não são apenas as plantas que gostam do nosso clima. As pragas e doenças que as prejudicam também, razão principal de sermos um dos maiores consumidores de agrotóxicos do planeta. Um efeito colateral quase sempre inevitável.

Se essas "vantagens" que a natureza nos dá parecem insuficientes para nos conformarmos com nosso destino, vejamos o lado meio cheio do copo: a maior parte dos países tropicais, além dos mesmos problemas, ainda sofrem com furacões, terremotos e outras catástrofes naturais com bastante frequência.

Então, conformemo-nos com nossas dificuldades inevitáveis (apenas as inevitáveis) e agradeçamos pelo que temos de bom.

E viva a primavera!

O autor é engenheiro agrônomo.