08 de julho de 2026
Geral

Aumenta o consumo de ovos e cai compra de carne e peixe em Bauru

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 4 min

No último ano, motivado pelo consumo, a produção de ovos de galinha voltou a bater recorde no Brasil, indicou uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O país produziu 57,6 bilhões de unidades no ano passado, alta de 1,7% em relação a 2020. As compras em 2022 seguem no mesmo ritmo e a procura por este alimento em Bauru tem sido muito grande, revelam comerciantes.

Segundo o consumidor Osvaldo Soares da Silva, 63 anos, que cita que sua profissão é "trabalhar de tudo um pouco", estava comprando ovos em um supermercado de Bauru para usar como mistura neste final de semana. Morador do Jardim Carolina, ele adquiriu uma dúzia de ovos, no valor de R$ 10,98, mas reclama que na semana anterior custava R$ 7,98. "Fui ali no açougue e levei um susto. Meu Deus, sem condições. Eu tenho comprado muitos ovos e sempre faço eles cozidos, até porque o óleo também está caro. Quando sobra um dinheirinho a mais, eu acabo comprando uma coxa de frango, uma asa ou pé de galinha", comenta o munícipe.

ESTUDO

Um estudo da plataforma Scanntech, de setembro deste ano, revela um crescimento, em 2022, nas vendas das categorias de açougues em geral, peixes e frutos do mar que, juntas, representam 67% das compras de proteínas em supermercados e atacarejos, mas com redução das vendas em volume no YTD (o acumulado no ano).

Movimento contrário é verificado em relação à venda de ovos, que apresenta aumento de volume, com aceleração em julho de 2022. Além disso, as vendas de ovos registram um incremento de faturamento muito superior ao registrado pelas demais proteínas em 2022. No mercado há 24 anos, a Scanntech é uma plataforma de dados granulares e acionáveis, que aumenta a eficiência do varejo.

A PRODUÇÃO

Segundo a Larissa Figueiredo Canalli, sócia-proprietária da empresa bauruense Multiovos, aumentou a produção na cidade devido ao cenário pós-pandêmico e à queda do poder de compra da população. "Acredito que tenha duplicado o consumo por indivíduo. Mais pessoas estão se alimentando em casa. Acredito que o brasileiro nunca comeu tanto ovo, seja ele frito, cozido, mexido, processado e usado em receitas", afirma a empresária deste segmento.

Ela acrescenta que o alimento, que até poucos anos atrás figurava entre os vilões da saúde, condenado pelo teor de colesterol, migrou para as páginas da alimentação saudável. "A indústria e as galinhas fizeram sua parte, com nada menos que 1.500 ovos por segundo produzidos no Brasil. As galinhas nas granjas entregaram 53 bilhões de ovos em 2020. Neste ano, a produção deve chegar a 56 bilhões de unidades", destaca a bauruense.

Apesar de custar menos do que as carnes, o ovo de galinha não escapou do impacto da inflação, que foi de 13,24% de acréscimo até dezembro último.

Pessoas em situação financeira ruim ou entidades assistenciais têm solicitado ovos com cascas trincadas. A Multiovos tem ajudado algumas entidades anualmente. "Notamos que muitas pessoas mais humildes recorrem aos ovos trincados, devido ao seu poder de compra muito baixo, que não suprem as suas necessidades básicas. O ovo, infelizmente, também teve seu acréscimo, puxado pela alta do milho, da soja e da ração", frisa Larissa Canalli.

PEIXES

No primeiro trimestre do ano, as vendas de peixes e frutos do mar apresentaram uma redução de 15% em relação ao mesmo período de 2021. Já nos meses de maio a julho, existe uma desaceleração da perda de faturamento da categoria. Nesse mesmo período, o açougue suíno acelera, assim como os ovos, categoria de destaque na cesta de alimentos nos últimos 3 meses.

O CONSUMO

Tradicionalmente, o ovo é considerado um substituto das carnes em tempos de pressão inflacionária, já que costuma ter preços mais acessíveis. Esse ponto foi sinalizado pelo IBGE na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2021. A série histórica da PPM teve início em 1974. E a produção de ovos vem subindo desde 1999.

No ano passado, as carnes acumularam inflação de 8,45% no Brasil, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), também calculado pelo IBGE. Os cortes com as maiores altas foram filé-mignon (30,91%), carne de carneiro (17,71%), picanha (17,36%), fígado (14,73%) e músculo (12,02%).

ECONOMIA

Para o economista Carlos Sette, é normal na economia de consumo essa substituição de produtos, sobretudo quando com alta de preço. E o ovo tem equivalência proteica muito grande pela carne. "As pessoas financeiramente mais simples optam pelo ovo. E quem não abre mão da carne, tem adquirido tipos de cortes mais baratos. O preço dos bovinos está relacionado à exportação. Os grandes produtores de carne tentam vender no mercado interno, em real, o mesmo que conseguiriam no exterior, em dólar", afirma.

Ainda de acordo com ele, a queda do preço dos combustíveis deve influenciar na diminuição do valor do frete e, consequentemente, no valor destes alimentos.