Roma - Neste domingo (25), os italianos escolhem a composição das duas Casas do Parlamento, o que definirá a formação do próximo governo. São 400 vagas na Câmara e 200 no Senado, 345 a menos, no total, do que na eleição de 2018 -- o corte foi aprovado há dois anos. No sistema misto, majoritário e proporcional, um terço das cadeiras é ocupado pelos mais votados, e o restante, por distribuição proporcional.
Nas últimas pesquisas, publicadas há 15 dias, como determina a lei, o partido de Giorgia Meloni tinha 24,4% das intenções de voto. Com a Liga, de Matteo Salvini, e o Força, Itália, de Silvio Berlusconi, a legenda integra uma coligação de direita que soma 45,9%, 17 pontos à frente da chapa de centro-esquerda liderada pelo Partido Democrático (PD). Em terceiro está o populista Movimento Cinco Estrelas (M5S), com 13,2%.
Às portas da votação, analistas apostam numa vitória da coalizão liderada por Meloni. A vantagem, porém, pode ser mais estreita, devido a uma trajetória de alta que o M5S, do ex-premiê Giuseppe Conte, vinha apresentando, com uma campanha focada no sul do país, mais pobre, e em programas de renda básica.
Prever o resultado é tão difícil quanto desvendar qual Meloni governará caso seja nomeada primeira-ministra. Sua coligação diz que o mais votado fará a indicação, a ser aprovada pelo presidente Sergio Mattarella. Será a moderada dos recados a estrangeiros ou a radical do discurso para correligionários?
Os olhares internacionais estão voltados à Itália não só pelo que Meloni vinha dizendo em comícios. Seu partido, assim como o de Salvini, é aliado histórico do premiê da Hungria, o ultradireitista Viktor Orbán.
Enquanto a Comissão Europeia tenta apertar o cerco contra a "democracia iliberal" de Budapeste, com a suspensão do repasse de recursos, o Parlamento Europeu recém-aprovou um relatório que classifica o país de "autocracia eleitoral" --entre os votos contrários estavam os de Irmãos da Itália e Liga.