São Paulo - O horário eleitoral do primeiro turno, que acabou nesta quinta-feira (29), teve Bolsonaro (PL) chorando, Lula (PT) reforçando sua religiosidade, as mulheres de ambos com destaque e foco na economia.
Em uma disputa concentrada pelos dois candidatos o espaço obrigatório na televisão virou uma corrida para reduzir danos de imagem. Antes do início do horário eleitoral, em agosto, Bolsonaro e Lula eram rejeitados por 51% e 39%, segundo o Datafolha. Sonho das duas campanhas, a queda na rejeição da dupla não veio. Lula teve só no horário nobre da TV, à noite, 40 minutos de exposição. Bolsonaro acumulou cerca de 32 minutos. O espaço teve audiências que variaram de 32 pontos a 44 pontos, segundo dados do Ibope.
MUDANÇA BOLSONARISTA
Quatro anos depois de ter apenas seis segundos por bloco do horário eleitoral no primeiro turno, Bolsonaro ganhou tempo e dinheiro em 2022 para sua propaganda. Até o dia 29 de setembro, declarou ter gasto R$ 15 milhões na campanha, mais da metade destinados à produção de vídeos usados na TV e replicados na internet.
O tempo e o dinheiro foram gastos para tentar amenizar na televisão o tom mais agressivo que Bolsonaro adota nas redes sociais. Os ataques a Lula, por exemplo, não saiam da boca do presidente. Eram sempre ditos em peças com atores e locutores.
Bolsonaro falava, na maioria das vezes, sobre economia e entregas do seu governo, além de evidenciar a presença da primeira-dama Michelle.
ATAQUES LULISTAS
Lula também levou a sua mulher para a TV, na segunda semana do horário eleitoral.
Veterano em campanhas, esteve quase sempre falando sobre o seu governo e prometendo uma economia melhor.
Ausente nas primeiras duas semanas do horário eleitoral, os ataques ao atual presidente surgiram na propaganda petista, depois, mas teve que usar boa parte do seu tempo contestando as acusações recebidas por parte da campanha de Bolsonaro, especialmente as que diziam que ele não fora absolvido pela Justiça no processo da Lava Jato e que processo anulado não era garantia de isenção de culpa. Também atacou citando casos de rachadinha, compra de imóveis por familiares e a prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro. Todas, sempre, na voz de locutores.