Com ritmo de coleta de dados aquém do esperado em meio a desistências de profissionais e resistência de parte da população, o Censo Demográfico 2022, realizado pelo IBGE, terá de ser prorrogado em Bauru. As visitas aos domicílios começaram em 1 de agosto e a previsão inicial era de que terminassem até 31 de outubro.
Porém, de acordo com o coordenador censitário no município, Bruno Dal Medico Hirsch, o prazo precisará ser estendido, com estimativa de conclusão dos trabalhos entre 15 e 20 de novembro. Para se ter ideia, até esta quarta-feira (28), 167.429 pessoas haviam sido recenseadas na cidade, o que corresponde a 44% da população estimada pelo IBGE, de 381.706 habitantes.
Já em relação aos domicílios, a coleta foi realizada em 76.634 deles, o equivalente a 65% dos cerca de 116,8 mil imóveis residenciais ocupados. Os dados foram apresentados na 2.ª Reunião de Planejamento e Acompanhamento do Censo, realizada no auditório da prefeitura nesta quinta-feira (29).
Os motivos que provocaram o atraso, segundo Hirsch, são diversos, entre eles o alto número de desistências de recenseadores e a dificuldade que eles ainda enfrentam para entrar nos condomínios residenciais. Atualmente, são 200 profissionais aplicando os questionários, sendo que a expectativa inicial era de que houvesse 343.
HOSTILIDADE
Conforme o JC divulgou, muitos deles foram hostilizados por parte dos moradores e houve quem abandonasse a função por não ter se adaptado ao trabalho, que exige andar embaixo de sol e ficar bastante tempo em pé. Alguns também enfrentam, até hoje, dificuldades para custear seus deslocamentos, embora haja uma ajuda de custo para transporte.
"Por isso, a maioria só aceita fazer a coleta nas proximidades de onde mora. Há, ainda, um desinteresse por cobrir a zona rural (hoje, apenas um está trabalhando nesta área em Bauru) e também regiões mais comerciais, que resultam em menor remuneração ao recenseador", frisa Hirsch. Outro grande problema para o IBGE é a forte resistência de síndicos autorizarem a entrada em condomínios.
De acordo com o coordenador censitário, as empresas administradoras destes residenciais têm informado que a responsabilidade por permitir a coleta é dos síndicos, sendo que muitos seguem impedindo o ingresso dos profissionais, mesmo havendo legislação federal que prevê a obrigatoriedade de todo cidadão prestar informações ao Censo. "A multa é de até dez salários mínimos, mas deve ser aplicada ao morador. Então, o IBGE não autua, porque estes moradores sequer tiveram a chance de responder ao questionário", acrescenta.
POR SETORES
O IBGE dividiu a cidade em cinco regiões (postos) e, até o momento, a mais adiantada é a 4, que já alcançou 80,51% de cobertura e inclui bairros como Geisel, José Regino, Cruzeiro do Sul e Octávio Rasi, seguindo até o Vale do Igapó. Já o posto 2, que engloba a Vila Falcão, Vila Industrial e Bauru 16, até o Parque Val de Palmas, tem o menor índice de coleta: 53,16% dos domicílios.
"Isso ocorre porque não conseguimos nenhum recenseador que more na região da avenida Elias Miguel Maluf", pontua Hirsch. A região 1 (Parque São Geraldo, Jardim Godoy, passando pelo Bela Vista até o Fortunato Rocha Lima) já está com 63,82% das residências recenseadas e a 3 (que concentra o maior número de pessoas vivendo em área rural, além do trecho urbano que vai do Centro, Estoril e Parque das Nações até o Residencial Paineiras e o Lago Sul) com 58,13%. Por fim, o posto 5 (Gasparini, Pousada, Mary Dota e Nobuji até o Giansante e Tibiriçá) registra cobertura de 74,46% dos domicílios.