11 de julho de 2026
Política

Intenção de votos: especialista esclarece dúvidas sobre diferenças em pesquisas

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 2 min

Mesmo na véspera da eleição, as pesquisas eleitorais que indicam a intenção de voto se mostram díspares e geram dúvidas, especialmente entre quem ainda não se decidiu em quem votar. Por isso, as explicações ao Café com Política da doutora em Ciência Política Denilde Holzhacker, que também é especialista em pesquisas eleitorais, escritora e professora, ajudam a entender as divergências. O advogado, diretor da OAB em Bauru e professor de direito empresarial, Thiago Munaro, também participou do bate- papo desta sexta-feira (30).

O primeiro ponto explicado por ela foi a distribuição das amostras, ou seja, quantos municípios entram, algumas são mais focadas em grandes regiões e outras em pequenas cidades, o que muda o perfil. Outra informação é quanto a escolha do público participante. "Tem pesquisas com número grande de eleitores mais velhos, outras de baixa renda. Estas diferenças acabam gerando distorções, porque elas captam perfis diferentes", explicou.

VOTO ENVERGONHADO

A especialista descarta a ideia de manipulação e credita a diferença dos resultados à falta de informações sobre a população do país, e ainda ao eleitor que não responde exatamente o que ele está pensando, o chamado voto envergonhado. "Muitas vezes ele não é detectado na pesquisa, e a gente só percebe depois da eleição", comenta.

Kleber Santos, especialista em Marketing Político e Comunicação Eleitoral, mencionou que 2022 bateu recorde de número de pesquisas eleitorais registradas, e citou dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de 2.130 pesquisas de intenção de voto registradas este ano.

Sobre o crescimento delas, a professora citou o aumento de institutos, mas disse que o fator principal é o financiamento destes trabalhos, que também aumentou. "Bancos e instituições financeiras passaram a financiar pesquisas para detectar os riscos das eleições. Para investidores, é importante para a definição de suas estratégias de investimentos", explicou.

PROTAGONISMO

O protagonismo das pesquisas foi mencionado pelo diretor de jornalismo do Jornal da Cidade, João Jabbour, que indagou a opinião da especialista sobre as datas-limites de divulgação dos resultados.

Para ela, quanto mais informação melhor para o eleitor. "Ele (eleitor) consegue comparar sua visão com a de outras pessoas, isso é instrumento precioso para o eleitor, e por isso elas devem ser divulgadas. Elas têm impacto na decisão", avaliou. Sobre o nível de confiança das pesquisas, Denilde orientou: "O eleitor deve, primeiro, ver se a pesquisa foi registrada, e se um estatístico assinou. Este é quase um selo que garante, para o TSE, que as pesquisas têm credibilidade", explicou.

Lembrada pelo economista e apresentador do programa, Reinaldo Cafeo de que este ano não serão realizadas boca-de-urna, a doutora lamentou o fato, tanto para a imprensa quanto para o eleitor, como para os próprios institutos.