Somente neste ano em Bauru, até setembro, 26 médicos, sendo 13 pediatras e 13 clínicos, pediram exoneração da rede municipal. Considerado alto pela própria prefeitura, o número é superior ao registrado nos últimos anos. Entre as unidades mais afetadas pelo desfalque, estão o Pronto-Socorro Central (PSC), o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Mary Dota.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde ressalta que tem "investido em plantões e horas extras para não deixar a população sem assistência médica nas unidades", e reforça que está em processo de "contratação de novos profissionais para reverter a situação". Atualmente, a rede municipal conta com 263 médicos.
O problema envolvendo o alto número de exonerações já havia sido alertado pela titular da pasta, Alana Trabulsi, em audiência pública na Câmara Municipal, realizada em maio deste ano. Em um novo encontro com o Legislativo, no fim de setembro, a dificuldade voltou a ser elencada.
A corrida contra o tempo para aumentar o número do corpo médico pode ser notada, inclusive, no Diário Oficial do Município, que trouxe, nos últimos dias, um chamado da Fundação Estatal Regional de Saúde da Região de Bauru (Fersb) para contratação de pediatras e médicos de outras especialidades.
ANOS ANTERIORES
O desfalque em 2022 é considerado alto pela prefeitura e é bem acima do registrado em 2020 inteiro, quando 18 médicos pediram exoneração. A quantidade é superior também à do ano passado, que totalizou 21 médicos deixando a rede.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, as exonerações estão pulverizadas pelas unidades médicas, mas, entre os locais que mais têm enfrentado dificuldades para fechar escalas, estão o PS Central, que ficou com sete médicos a menos; o Samu, também com redução no quadro funcional de sete profissionais; e a UPA Mary Dota, que enfrenta um desfalque de cinco médicos em sua rotina de atendimentos.
INSATISFAÇÕES
A prefeitura explica que não há um perfil comum entre os profissionais que pediram exoneração. Contudo, uma pesquisa de desligamento realizada pelo próprio município indica que a maioria dos médicos que saiu relatou como pontos principais as insatisfações com o salário recebido e com a gestão dos serviços de saúde municipais, além da dificuldade na adequação de seus horários.
Alguns ainda apontaram ter pedido exoneração por motivos pessoais, mudança de cidade ou mesmo início em outro emprego.
Em maio deste ano, a secretária Alana Trabulsi também disse aos vereadores que a debandada de pediatras da rede municipal teria como um dos pilares o descontentamento de médicos com muito tempo de casa por não conseguirem dar plantões extras, uma vez que, com isso, suas remunerações totais ultrapassariam o limite do teto salarial da prefeita, o que é proibido por lei.