08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Viver para ver

Roque Roberto Pires de Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Para começar esta crônica, preciso retroceder no tempo. Acredito, poucos que irão tomar conhecimento dela sejam meus contemporâneos e explico o porquê. O tema acima tornou-se assunto velho, mas, como é sabido, a história se repete de tempos em tempos! Quando Elizabeth II tornou-se Rainha da Inglaterra, em 1952, eu já trabalhava no Bradesco em Bauru, e se ela teve a oportunidade de assistir à Inglaterra Campeã do Mundo de Futebol em 1966, a chegada do homem à Lua em 1969 e a Guerra das Malvinas em 1982, eu posso dizer também que fui testemunha de tudo isso e mais um pouco, porque ela, tendo passado para o outro lado da rua (Santo Agostinho), eu continuo acompanhando de perto o mundo social e político deste nosso Brasil, em especial nestes últimos 70 anos, o que, convenhamos, não é pouco.

-O dia 2 de outubro/22 ficou marcado como uma data tão importante como o sete de setembro, quinze de novembro e tantas outras da história brasileira no seu campo político. O dois de outubro tornou-se o divisor de águas. Lembro-me que na caserna havia um clichê muito batido "azuis x vermelhos". Quem acompanhou, como eu, a República Velha, período Ditatorial 37/45, Militar e a Nova República, até os dias atuais, pode confirmar a repetição do jargão das casernas, um novo período dos "azuis x vermelhos" se aproxima! A Rainha não irá tomar conhecimento, penso eu..., afinal, não há mais nenhuma preocupação para ela!

Ainda passeando pelos velhos tempos, recordo-me quando na graduação de sargento do Exército ter participado de vários IPMs como escrivão e, em alguns, o que se apurava era o envolvimento de soldados ou graduados em desvios de peças de almoxarifado, peças de armamento, danos e armamentos ou dos veículos. Em um deles, apurou-se fato grave tendo como penalização a expulsão das fileiras e entrega do responsável à Polícia Civil, fato que ocorria ao final da tarde com a leitura do Boletim Interno na presença da tropa. Ficava muito claro que nas corporações militares não se admitem infrações ao pundonor militar que é o sentimento de decoro, honra e brio.

Retomando o início desta crônica e com a remota hipótese deste imenso Brasil ingressar na faixa vermelha do perigo iminente, com a ascensão de um homem duplamente condenado, experiente em xilindró, fundador do Fórum de São Paulo e parceiro de presidentes declaradamente comunistas, como os de Cuba, Venezuela e Nicarágua - existem outros, nos é possível fazer, mesmo que perfunctória, uma analogia da presença das Forças Armadas do Brasil em 1961/1964 imputando a João Goulart a pecha de comunista por ter visitado em missão comercial a Rússia, China e Cuba, promovido reformas de base, agrárias, anistia aos marinheiros e fuzileiros navais rebeldes somando-se à suspeita de que seria dado um golpe de Estado de orientação esquerdista, foi deposto e exilado no Uruguai. O Mapa do Brasil no dia de hoje com o resultado das eleições do primeiro turno exibe com nitidez solar o avanço da faixa vermelha sobre a faixa azul, soando como uma clarinada, uma convocação urgente aos verdadeiros Patriotas desta grande Nação.

Particularmente, confesso, pretendo viver, mas não ver o nosso País em mãos vermelhas!