Já faz dez anos que o contador Rodrigo Capuruço, 44 anos, ouviu de um chefe alemão um comentário sobre o povo brasileiro, do qual não se esqueceu. "Vocês, brasileiros, têm flexibilidade, isso é uma riqueza incrível", ouviu Capuruço, hoje presidente no Brasil e na América Latina da Volkswagen Financial Services, braço financeiro da montadora alemã.
O então chefe de Capuruço se referia, especialmente, à tolerância com as opiniões e até erros dos outros, a boa vontade em conversar e procurar um consenso diante de um impasse e de se adaptar aos diferentes contextos.
"Cumprir uma agenda democrática não é simples. É preciso muito diálogo para criar um consenso e, ao mesmo tempo, ter disciplina para aplicar as medidas necessárias", diz ele, um dos executivos entrevistados na enquete promovida pela BTA Associados sobre as perspectivas do alto escalão para 2023, no período pós-eleitoral. "Mas me preocupa ver a polarização política tomando conta dos ambientes de convívio, de todos eles, e colocando em xeque essa qualidade brasileira tão especial, que até os estrangeiros reconhecem em nós."
A enquete feita pela consultoria BTA Associados, especialista em gestão organizacional, com exclusividade para a Folha, colheu entre os dias 12 e 19 a opinião de 203 executivos, em uma plataforma própria de pesquisas online. Os entrevistados ocupam cargos de liderança (presidentes, membros do conselho de administração, diretores e gerentes) em médias e grandes companhias, de diversos setores, em diferentes regiões do país.
"A maior parte dos executivos entrevistados está nos cargos de diretores e gerentes", diz Vânia Café, sócia da BTA. Eles respondem por 65% da amostra, que se completa com 24% de presidentes e 11% de membros do conselho de administração.