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Meta lucra com golpes de programas do Governo nas redes sociais

Por | da Rede Sampi
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/NetLab-UFRJ
Segundo o STF, plataformas e ferramentas de IA que facilitam e lucram com a circulação desses anúncios falsos também precisam ser responsabilizadas.
Segundo o STF, plataformas e ferramentas de IA que facilitam e lucram com a circulação desses anúncios falsos também precisam ser responsabilizadas.

Uma nova investigação revela que as plataformas da Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp) se tornaram o principal caminho para fraudes digitais no Brasil. O estudo aponta que criminosos estão usando o nome de programas conhecidos do governo federal, como o "Valores a Receber" e o "Brasil Sorridente", para enganar milhões de cidadãos via anúncios pagos que a própria plataforma ajuda a impulsionar.

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A situação é grave: dados recentes mostram que um em cada três brasileiros já sofreu algum golpe financeiro pela internet. O levantamento, publicado pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab/UFRJ) nesta quarta-feira (5), destaca que impressionantes 79% dessas fraudes começam em redes sociais da Meta, e o WhatsApp é o ponto de partida em quase 40% dos casos. O medo de perder dinheiro online já supera, para muitos, a preocupação com a violência nas ruas das cidades.

O sucesso dos golpistas deve-se, em grande parte, ao uso sofisticado da tecnologia. Quase metade dos anúncios fraudulentos analisados utiliza Inteligência Artificial (IA) para criar vídeos e imagens falsas. Os criminosos usam "deepfakes" — vídeos manipulados que imitam a voz e o rosto de políticos e jornalistas famosos — para dar aparência de verdade às promessas de dinheiro fácil ou benefícios inexistentes.

Além de criar o conteúdo, a própria ferramenta de anúncios da Meta facilita o crime ao testar automaticamente diferentes versões de uma mesma propaganda enganosa para ver qual atrai mais vítimas. Isso torna a fiscalização muito mais difícil e permite que os golpes alcancem justamente as pessoas mais vulneráveis, que acreditam estar acessando um canal oficial do governo.

Diante desse cenário, o relatório defende que a responsabilidade não pode ser apenas de quem cria o golpe. A Justiça brasileira, pelo Supremo Tribunal Federal, já sinaliza que as grandes empresas de tecnologia (Big Techs) devem ter o "dever de cuidado". Isso significa que as plataformas e as ferramentas de IA que facilitam e lucram com a circulação desses anúncios falsos também precisam ser responsabilizadas pelos prejuízos causados à população.

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