21 de setembro de 2026
EXCLUSÃO

PCDs do Brasil têm desvantagens em todas as áreas da sociedade

Por | da Rede Sampi
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/Reuben Hustler/Unsplash
Em 2022, a maior parte da população com deficiência apresentava dificuldade para enxergar (7,9 milhões), seguida por dificuldade para caminhar ou subir degraus (5,1 milhões).

O IBGE divulgou nesta sexta-feira (18) um estudo sobre as desigualdades enfrentadas pelas pessoas com deficiência no Brasil. Os dados mostram dificuldades de acesso à educação, moradia e espaços urbanos, além de diferenças no mercado de trabalho, renda e participação política.

Em 2022, o país tinha 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais. A maior parte apresentava dificuldade para enxergar (7,9 milhões), seguida por dificuldade para caminhar ou subir degraus (5,1 milhões). Quase 4 milhões tinham duas ou mais dificuldades.

Educação

A taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 a 29 anos com deficiência era de 12,2% em 2022, enquanto entre aquelas sem deficiência o índice era de 1%. Entre jovens com limitações nas funções mentais, a taxa chegava a 40,4%.

A frequência escolar também apresentava diferenças. Entre crianças de 6 a 14 anos com deficiência profunda, 82,3% frequentavam a escola, contra 95,6% das que tinham deficiência severa e 98,4% das crianças sem deficiência.

Na faixa de 15 a 17 anos, a frequência era de 65,6% entre pessoas com deficiência profunda, 82,8% entre aquelas com deficiência severa e 85,4% entre as que não tinham deficiência.

Segundo o Censo Escolar, em 2025, 78,5% das escolas de educação básica tinham pelo menos um recurso de acessibilidade. Porém, apenas 57% contavam com banheiro acessível, 30% tinham sala de recursos multifuncionais para atendimento educacional especializado e 26,2% possuíam profissional de apoio para alunos com deficiência.

Entre 2014 e 2024, o número de matrículas de pessoas com deficiência na graduação aumentou de 33,4 mil para 95,6 mil. As matrículas em cursos de graduação a distância também cresceram, passando de 11,9 mil em 2019 para quase 45 mil em 2024.

Condições de moradia

A Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios mostrou que 67,4% das pessoas com deficiência viviam em moradias com obstáculos nas calçadas em 2022.

Embora 83,4% tivessem calçadas ou passeios no entorno e 97,6% contassem com iluminação pública, apenas 12,9% tinham rampas para cadeirantes. O percentual era de 7,4% no Nordeste e 8,2% no Norte. No Sul, chegava a 23,9%, e no Centro-Oeste, a 21,5%.

Nas favelas e comunidades urbanas, 1,25 milhão das 16,4 milhões de pessoas residentes tinham deficiência. O acesso simultâneo a esgotamento sanitário, abastecimento de água e coleta de lixo era de 56,6% entre as pessoas com deficiência, contra 60,2% entre aquelas sem deficiência.

A diferença também aparecia no acesso à internet e à máquina de lavar. Entre pessoas com deficiência, 78,9% tinham acesso domiciliar à internet e 60,4% viviam em casas com máquina de lavar. Entre as pessoas sem deficiência, os índices eram de 90,2% e 68,9%, respectivamente.

Trabalho e renda

O nível de ocupação entre pessoas com deficiência era de 29% em 2022, contra 55,8% entre as pessoas sem deficiência. Entre aquelas com deficiência profunda, o índice era de 21,2%.

As pessoas com deficiência recebiam, em média, R$ 2.053 por mês pelo trabalho, cerca de 71% do rendimento médio das pessoas sem deficiência, de R$ 2.890.

As mulheres com deficiência tinham nível de ocupação de 24,4%, abaixo dos 35,4% registrados entre homens com deficiência. Entre mulheres com deficiência que viviam em domicílios com crianças com deficiência, o nível de ocupação era de 43,1%, contra 55,2% entre aquelas que moravam com crianças sem deficiência.

Deslocamento

As pessoas com deficiência também enfrentavam maior tempo no trajeto entre casa e trabalho. A média era de 37 minutos, quatro minutos a mais que entre as pessoas sem deficiência.

O ônibus ou BRT era o principal meio de transporte entre trabalhadores com deficiência, utilizado por 24,7%. Entre as pessoas sem deficiência, predominava o automóvel, táxi ou meios semelhantes, com 32,8%.

Entre mulheres pretas ou pardas com deficiência, 16,5% levavam mais de uma hora no deslocamento até o trabalho, o maior percentual entre os grupos analisados.

Participação política e gestão pública

Entre 2020 e 2024, o número de vereadores com deficiência eleitos caiu de 522 para 391. O número de prefeitos passou de 56 para 24.

Nas eleições de 2022, foram eleitos dois deputados estaduais, uma deputada estadual, um deputado federal e uma deputada federal com deficiência.

O Censo 2022 identificou 2,3 milhões de cargos gerenciais no país. Desse total, apenas 2,5%, ou 59,1 mil, eram ocupados por pessoas com deficiência.

Em 2023, 490 municípios tinham legislação específica para adaptar espaços públicos para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Outros 480 municípios tinham legislação sobre passe livre.

Famílias

Entre crianças e adolescentes de 2 a 17 anos, 58,4% daqueles com deficiência moravam com mãe ou madrasta e pai ou padrasto. Entre os que não tinham deficiência, o índice era de 68,1%.

Já 30,1% das crianças e adolescentes com deficiência viviam somente com a mãe ou madrasta, contra 21,5% daqueles sem deficiência. Entre os que moravam em domicílios abaixo da linha da pobreza, o percentual chegava a 35,1%.

O estudo do IBGE reúne dados do Censo Demográfico 2022, da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), do Censo Escolar, do Censo da Educação Superior, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).