16 de setembro de 2026
CRESCIMENTO

Chuva e frio fazem movimento em lavanderias crescer até 120%

Por Giovanna Vianna |
| Tempo de leitura: 4 min
Victor Augusto Nascimento calcula que a procura esteja 120% maior do que no mês passado

A chuva e o frio desta semana fizeram o movimento nas lavanderias de Jundiaí crescer até 120%. O serviço de secagem, com preços que variam de R$ 16 a R$ 18, passou a ser o mais procurado, principalmente por moradores que lavaram as roupas em casa, mas não conseguiram secá-las. Em alguns estabelecimentos, clientes chegaram a esperar 3 horas por uma máquina.

A dentista Renata Albiach Amato nunca havia usado uma lavanderia antes. Nesta semana, passou por quatro estabelecimentos até encontrar uma secadora disponível. “Resolvi recorrer ao serviço para resolver meu problema de não conseguir secar as roupas em casa devido ao tempo úmido e chuvoso. Passei por quatro lavanderias e todas estavam extremamente lotadas. Até que cheguei na última e me convenci de que realmente era necessário esperar”, conta.

Renata já havia lavado as roupas em casa e utilizou apenas a secadora, que levou cerca de 50 minutos. Entre a espera e o atendimento, porém, permaneceu três horas no local, das 19h30 às 22h30, e pagou R$ 17,90. “Eu percebi que muita gente tinha lavado as roupas em casa e estava ali só para secar. Para mim, foi uma questão de praticidade, porque eu precisava das roupas e não tinha como esperar mais um ou dois dias. No fim, valeu a pena”, afirma.

Movimento acima do normal

Em uma lavanderia no Jardim São Bento, o proprietário Victor Augusto Nascimento calcula que a procura esteja 120% maior do que no mês passado. O movimento, que normalmente se concentra nos fins de semana, passou a ser intenso durante toda a semana. “De sexta até segunda-feira, as máquinas não pararam. Chegamos a ter um dia em que as pessoas discutiram por causa das secadoras. O pessoal está vindo porque tentou secar em casa e não conseguiu”, conta.

Segundo ele, a procura é principalmente por roupas do dia a dia. Consumidores de ‘primeira viagem’ foram os destaques. “Quando a roupa fica dias molhada, começa a pegar cheiro e pode até dar mofo. Então a pessoa acaba vindo até a lavanderia para resolver aquilo na hora”, explica.

Em outra lavanderia na rua 14 de Dezembro, a proprietária Denise Souza também registrou aumento. A unidade funciona 24 horas e, segundo ela, passou a ficar cheia em diferentes horários. “Tivemos uma procura elevada, principalmente para secar roupas. A gente tem um movimento bom normalmente, mas com a chuva aumentou. O principal problema relatado pelas pessoas é conseguir secar a roupa”, afirma.

O período chuvoso também muda o perfil do público. Famílias com crianças aparecem com mais frequência, enquanto os clientes habituais são trabalhadores e jovens que moram sozinhos e buscam praticidade. “Nosso perfil regular é de pessoas que lavam e secam a roupa aqui. São pessoas que têm uma rotina mais corrida, trabalham, jovens que moram sozinhos e preferem deixar a roupa para lavar e secar no final do dia. No período de chuva, a maioria vai para secar a roupa que lava em casa, tanto quem mora em casa quanto quem mora em apartamento”, explica.

Em uma lavanderia tradicional no Retiro, a proprietária Fernanda Felicioni também registrou aumento de 50% a 60% na procura, principalmente de clientes que levam as roupas de casa para serem secas. Diferentemente das unidades de autosserviço, o estabelecimento faz todo o processo, da triagem à lavagem, secagem, passagem e embalagem das peças. “Hoje o cliente lava a roupa em casa e não consegue secar. Então ele procura a lavanderia para fazer a secagem. A gente praticamente não trabalha com um serviço só de secar, porque nosso serviço é mais completo, mas estamos recebendo uma demanda bem grande desse público”, explica.

Além do movimento provocado pela chuva, Fernanda diz que a lavanderia atende clientes com perfis variados, desde serviços pontuais para peças especiais até famílias que mantêm pacotes mensais. “Temos clientes que estão com a gente há dez anos e renovam os pacotes todos os meses. Para eles, não é só praticidade, existe também uma economia significativa em casa. São roupas de cama, mesa, banho e do dia a dia”, afirma.

Setor cresce

O aumento provocado pelo clima ocorre em um mercado que já vinha em expansão. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o segmento de Limpeza e Conservação, que inclui lavanderias, faturou R$ 2,5 bilhões em 2025, alta de 16,8% em relação a 2024. Entre os fatores apontados pela entidade estão imóveis menores, mudanças nos hábitos de consumo e menos tempo disponível para tarefas domésticas.