29 de agosto de 2026
CRÔNICA

Na maré da campanha eleitoral

Por Hélio Consolaro | Especial para a Folha da Região
| Tempo de leitura: 2 min

Antigamente mais, hoje menos, a campanha eleitoral é uma espécie de trote estudantil. Até passam a mão na bunda do candidato. Quer chegar lá, vai submeter. Quem é candidato por uma vez, fazendo campanha, nem que seja a vereador, conhece bem o nosso povo. Conhece mais a voz do capeta do que a de Deus. 

Em 1988, uma senhora entrou no meu comitê (naquela época era uma exigência) dizendo que precisava fazer o aniversário de sua filha. Relacionou o que cada candidato a prefeito ia dar para fazer a festa. E passou qual era a minha cota. Olhei bem na cara dela e disse: "Na minha casa, quando não tenho dinheiro, não faço festa. Passe bem!" Já fui malvado! 

DEBATE POLÍTICO 

Em 1988, fui candidato a prefeito. Eu era um menino de 40 anos. Hoje me acho assim, mas na época me considerava preparadíssimo com meus seis anos na vereança. A SPTV Rio Preto organizou um único debate dos candidatos de Araçatuba no dia 27/10/1988. Na época, a eleição acontecia no feriado de 15 de novembro. Como não tínhamos canal de televisão no município, o horário gratuito era só no rádio.

O debate do dia 27/10 foi de manhã. Chuva torrencial, todos em casa, minha candidatura cresceu. Fui bem. Mas a candidata vitoriosa nas urnas, Germínia Venturolli, não compareceu. No resultado eleitoral, eu fiquei em terceiro e o deputado federal João Rezek em quarto lugar, ganhei do fazendeiro. Nesse ano, 1988, Erundina elegeu-se prefeita de São Paulo.

DIREITA DEMOCRÁTICA

Dentre os presidenciáveis mais expostos, todos são de direita autoritária, vão dar anistia aos golpistas caso sejam eleitos. Como admitir que um ex-governador de dois mandatos tenha apenas 10% dos votos em Minas Gerais. Zema, em vez de conhecer o Brasil, vai visitar El Salvador, um país menor que estados brasileiros, que é governado por um ditador. Zema precisa viajar pelo Brasil. Aproveitar a campanha eleitoral para fazer isso.

QUEM FICA COM O CENTRÃO?

Fizeram essa pergunta ao presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) quando recentemente esteve em Araçatuba. E ele respondeu que seria com o Lula, pois os partidos que compõem o Centrão se declararam neutros.  A neutralidade ficou barata depois da aprovação do financiamento de campanha pelos cofres públicos, os candidatos do legislativo não precisam do dinheiro do candidato do executivo para fazer campanha. O Centrão espera 2030 para apoiar Tarcísio Freitas para presidente, pois todos eles apoiam o governador na rua reeleição. Aguardemos. 

Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro das academias de Letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna (RJ)