Sempre flanando pela cidade, de carro ou à pé, percebo coisas que o citadino(êpa!) talvez não note, acostumado que está com a paisagem urbana. Outro dia – faz tempo – escrevi aqui mesmo na FR (www.folhadaregiao.com.br ) a respeito da profusão parafernálica das placas que assolam as ruas comerciais, com raras exceções para os bairros estritamente residenciais ou periféricos, estes em constante risco. Nas áreas de grande afluência de pessoas, onde o comércio viceja (ôpa!), o caos chegou e se instalou na forma de placas, faixas, luminosos e avisos berrantes que gritam seus produtos aos olhos distraídos dos passantes.
Verdadeira agressão que tortura até o mais tolerante araçatubense, que mal percebe a ocultação do patrimônio arquitetônico da cidade que deveria – e deve – revelar sua memória, assim tão desprezada. A cidade está, cá entre nós, bem feiazinha com essa bagunça publicitária e parece não haver perspectiva de melhora, pois claramente falta uma espécie de “plano diretor visual” para aplacar (aaargh) o crescimento descontrolado da disputa (outro êpa!) comercial.
Qualquer um que flanar pouquinho atento verá, com seus surpreendidos olhos, as horrorosas placas que enfeiam as fachadas de grande parte dos imóveis da cidade. Não fosse o suficiente, virou mania local a criminosa remoção do arvoredo antigo, antes cuidadosamente distribuído em todas as calçadas a cada 10 metros. O concreto sufoca pobres árvores que sobraram e não deixa espaço para o plantio de novas mudas. Remanescem heroicamente alguns trechos urbanos preservando espécies plantadas há 100 ou 50 anos. Relevante registrar o empenho de bons cidadãos que participam dos mutirões de reflorestamento em áreas disponíveis e degradadas, bem como do plantio nos canteiros das grandes avenidas. Belo exemplo a seguir!
Indispensável pensar numa “Cidade Limpa”, nos moldes da Lei Municipal 14.223/2006, de São Paulo, regulamentada pelo Decreto 47.950/06. A capital do Estado acordou com o apoio firme de sua população ao remover anúncios agressivos e restaurar fachadas e passeios públicos. Casarões, casas e casinhas ressurgiram com estilo e tomaram conta dos espaços. As ruas ficaram mais limpas e bem sinalizadas. A calçadas iluminadas e melhor arborizadas despertaram civilidade e cidadania. Por aqui na terrinha, meus caros, tudo pode ser bem mais fácil, bastando a administração copiar sem medo a lei paulistana e botá-la em imediata vigência. Mesmo que seja por Decreto!
É sócio de Jeremias Alves Pereira Filho Advogados Associados. Especialista em direito empresarial e professor emérito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Araçatubense nato