23 de agosto de 2026
CRONÍCULAS

Reclamação: semáforos burros

Por Jeremias Alves Pereira Filho | Especial para a Folha da Região
| Tempo de leitura: 2 min

Qualquer modesto portador de CNH, mesmo que deteste dirigir, sabe muito bem para que serve um semáforo. O primeiro do mundo surgiu em 1868, na Inglaterra, criado pelo engenheiro ferroviário John Peake Knight para organizar o tráfego de carruagens movidas a cavalo, antes, claro, da invenção dos automóveis. Era um rudimentar aparelho a gás que usava braços mecânicos de luzes vermelho e verde para sinalizar os clássicos pare e siga. Até que uma explosão desse gás colocou a brilhante invenção no armário. 


Só em 1912 Lester Wire, um criativo policial de Salt Lake City (USA), inventou o primeiro sinalizador elétrico, usando o mesmo padrão de cores do engenheiro londrino. Alguns anos depois, em 1920, William Potts, mais um bom policial, acrescentou a luz amarela entre as outras duas para servir de alerta à mudança iminente do sinal. Muito bem bolado...

Outro americano, Garret Morgan, desenhou em 1923 uma versão do aparelho como sinal de alerta para pedestres e, espertinho, patenteou a invenção em seu nome e enriqueceu.


Dito isso, posso falar ao que vim. Ocorre que, com a explosão demográfica e o crescimento desenfreado das cidades, os sistemas de locomoção por veículos ou a pé tornaram-se cada vez mais complexos, chegando a serem não só indispensáveis nos dias atuais, como demandam tecnologia e estratégia para bem utilizados atender aos seus propósitos básicos. Em outras palavras: fazer com que o tráfego de veículos e pessoas flua convenientemente, com segurança e sem perda de tempo.


Foi quando – não sei quando – alguém pensou no “semáforo inteligente”, isto é, aquele mesmo aparelho munido de dispositivo eletrônico capaz de otimizar e sincronizar os tempos de abertura e fechamento dos sinais para que o usuário tivesse a possibilidade de fluir mais cômoda e rapidamente pelo circuito percorrido, a pé ou de carro, entre um e mais sinalizadores, que, milagrosamente se abriam quando de suas respectivas aproximações. E criaram um departamento especializado que chamaram de CET-Centro de Engenharia de Tráfego, destinado a garantir o bom funcionamento do sistema. 


Flanando de carro em todas minhas passagens pela cidade, pude notar que o sistema foi implantado também por aqui, mas com pouco aproveitamento da sincronia, de tal modo que os sinais abrem enquanto o próximo fecha e, quando este abre, o seguinte, que estava aberto, se fecha. E assim vai numa sucessão traumatizante de “ande-pare”, apenas transferindo de quadra o congestionamento. Irritado diria: esses tais semáforos são mesmo é burros!


É sócio de Jeremias Alves Pereira Filho Advogados Associados. Especialista em direito empresarial e professor emérito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Araçatubense nato