12 de julho de 2026
PADRE CHARLES BORG

FSSPX

Por Charles Borg | Especial para a Folha da Região
| Tempo de leitura: 2 min

“O que acontece na Igreja?” É a pergunta que muita gente, aflita, anda fazendo. Quer saber o que realmente está acontecendo, e porque, após a divulgação da excomunhão de bispos e padres e a notificação da situação do cisma na Igreja Católica. Interessa apresentar oportuno e breve resumo histórico.

Em meados do século passado, realizou-se na Igreja Católica, o segundo Concilio do Vaticano. Nesta reunião que durou quatro anos, bispos do mundo inteiro debateram sobre rumos que a Igreja deveria adotar em um mundo de rápidas e profundas transformações. 

Nenhuma verdade da fé dogmática ou moral, recebida dos apóstolos, foi suprimida ou alterada. Os padres conciliares, com a aprovação do Papa PauloVI, indicaram reformas com potencial de habilitar a Igreja a estabelecer fecundo intercâmbio e sustentar dialogo consistente com o mundo moderno. A inovação mais impactante foi a reforma litúrgica que introduziu o vernáculo nas celebrações, colocou mais em evidência a proclamação da Palavra de Deus, tudo com o objetivo de facilitar grandemente a efetiva e proveitosa participação dos fiéis nas celebrações religiosas. 

Poucos anos após o término do Concílio Vaticano II, um bispo francês, Marcel Lefebvre, que havia participado do Concílio e dado seu consentimento a todos os documentos conciliares, mudou de ideia e passou a se posicionar contrário às reformas, por julgá-las erradas e contraditórias à tradicional fé católica. Dirigiu duras críticas especialmente contrárias à reforma litúrgica. Decidiu, então, formar uma comunidade de padres que comungassem o mesmo pensamento conservador. 

Origina-se a Fraternidade Sacerdotal São Pio X – FSSPX. Nos anos seguintes, a dissidência tornou-se mais aguda. O número de simpatizantes foi aumentando, a ponto do bispo francês já idoso e debilitado, decide consagrar bispos e padres sem a autorização do Papa. Diante da postura rebelde e desafiadora, o Papa João Paulo II excomungou o bispo Lefebvre e os bispos por ele consagrados. 

O Vaticano, todavia, nunca fechou a porta ao diálogo. Concedeu a possibilidade de realizar tais celebrações, desde que se reconhecesse e se submetesse à autoridade do Papa. O Papa Bento XVI, então, tirou a excomunhão. Dos bispos ordenados por Lefebvre, todavia, sobraram apenas dois, o que fez novamente levantar a apreensão com a continuidade da fraternidade. 

Desta forma, no começo de julho deste ano, a fraternidade decidiu, a revelia, ordenar novos bispos, assumindo declarada posição de confronto e dissidência. O Papa Leão XIV declarou a fraternidade fora da comunhão católica, excomungando bispos, clero e fiéis que confessassem o credo da fraternidade. A porta do diálogo permanece aberta, insiste o Papa. O cisma é doída ferida. Desnecessária. A Igreja Católica permanece de braços abertos para acolher os dissidentes... desde que aceitassem o abraço! Na tenda que é a Igreja, só não cabe quem recusa nela abrigar-se! 

Padre Charles Borg é vigário-geral da Diocese de Araçatuba.