O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou 11 pessoas sob suspeita de desvio de R$ 86,3 milhões do IRM (Instituto Rio Metrópole), autarquia estadual responsável pelos projetos da região metropolitana fluminense.
Foram presos nesta quinta-feira (9), em operação do MP-RJ que investiga desvios, o presidente do órgão, Davi Perini Vermelho, o Didê; o delegado da Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno, diretor da autarquia; e o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva, que chefiava a Procuradoria-Geral do IRM.
A Folha de S.Paulo busca a defesa dos presos.
A Polícia Civil afirmou que a Corregedoria instaurou Processo Administrativo Disciplinar para apurar os fatos que implicaram na prisão do delegado. A corporação afirmou que "não compactua com qualquer desvio de conduta de seus integrantes" e que "mantém rígidos mecanismos de controle interno e colabora permanentemente com os órgãos de fiscalização e persecução, adotando todas as medidas cabíveis para apurar eventuais irregularidades".
O governo do estado afirmou, em nota, que a operação decorre de auditoria no IRM feita pela Controladoria Geral do Estado e pelo Gabinete de Segurança Institucional, cujos relatórios foram encaminhados ao Ministério Público.
A presidência da autarquia, de acordo com o governo, tem mandato de quatro anos e que a atual gestão foi nomeada na administração anterior, com mandato até dezembro de 2026.
"O Governo do Estado reforça o compromisso com a transparência, a correta aplicação dos recursos públicos e o combate à corrupção", diz trecho da nota.
A denúncia, apresentada pelo Gaesf (Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal), atribui aos acusados os crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e contratações e lavagem de dinheiro.
Os mandados de prisão e busca e apreensão são cumpridos na capital fluminense, em São Gonçalo (RJ) e em Teresópolis (RJ).
A Promotoria afirma que o grupo usou contratos firmados pelo IRM entre julho de 2022 e maio de 2026 para desviar recursos públicos.
A investigação aponta que Didê chefiava o núcleo de servidores públicos do esquema. Segundo a denúncia, ele autorizava contratações, assinava contratos e controlava os pagamentos.
A autarquia repassava em seguida ao Instituto Bio os valores pagos a duas empresas contratadas (Brazilian Institute of Organics), entidade que, segundo a investigação, não tinha estrutura operacional compatível com os montantes recebidos. O dinheiro era então sacado em espécie.
A reportagem tentou contato com o instituto por email e mensagens na manhã desta quinta, mas não houve manifestação até o momento.
Outro denunciado é Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrante da Comissão Técnica de Licitação. Para os promotores, ele articulava o direcionamento das licitações em favor das empresas contratadas. Ele é considerado foragido.
A reportagem busca a defesa de Santos.
O diretor do IRM é pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), que não está entre os investigados na operação.
A Justiça impôs a outros cinco denunciados medidas cautelares diversas da prisão, como monitoramento eletrônico, comparecimento periódico em juízo e proibição de deixar o país.
O Instituto Rio Metrópole é uma autarquia vinculada ao governo do estado. O órgão executa as políticas e os projetos da região metropolitana do Rio, formada por 22 municípios. O órgão funciona como braço técnico do Conselho Deliberativo da Região Metropolitana, colegiado que reúne representantes do estado e das prefeituras. Atua sobretudo nas áreas de mobilidade urbana, saneamento, habitação, meio ambiente e desenvolvimento metropolitano.
Os presos devem passar por audiência de custódia, na qual a Justiça reavalia as prisões preventivas, que, mantidas, devem ser revistas a cada 90 dias, conforme o Código de Processo Penal. Maurício Knoploch dos Santos, considerado foragido, segue com mandado de prisão em aberto.
Recebida a denúncia, os réus serão citados e terão dez dias para apresentar defesa preliminar, antes da instrução do processo, com oitiva de testemunhas e interrogatórios. Em paralelo, o Ministério Público pode requerer o bloqueio de bens dos acusados para garantir o ressarcimento dos R$ 86,3 milhões que teriam sido desviados.
- Davi Perini Vermelho, o Didê — presidente do IRM e ex-presidente da Câmara de São João de Meriti; apontado pela investigação como chefe do núcleo de servidores
- Franquis Dias Nepomuceno — diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e delegado da Polícia Civil; apontado pelo MP-RJ como ordenador de despesas e controlador de fato da RioForte
- Marcelo Lopes da Silva — procurador do Estado, então à frente da Procuradoria-Geral do IRM; emitia os pareceres jurídicos, segundo a investigação
- Caroline Soares Barros — fiscal de contratos do IRM e presidente do Instituto BIO, a entidade sob suspeita de ser de fachada de acordo com a Promotoria
- Amanda Íthala Santos da Paschoa — sucessora de Caroline na fiscalização e cunhada do deputado estadual Alexandre Knoploch (que não está entre os alvos da operação); conforme a denúncia, atestava a execução dos contratos;
- Maurício Silva Knoploch dos Santos — diretor de Planejamento e Projetos do IRM, membro da Comissão Técnica de Licitação e pai do deputado estadual Alexandre Knoploch; apontado como articulador do direcionamento das licitações, segundo a investigação