11 de junho de 2026
EDUCAÇÃO

Encerrada na USP, greve dos estudantes segue na Unicamp e Unesp

Por Bruno Lucca | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Unicamp, em Campinas, segue com paralisação

Encerrada na USP, a greve dos estudantes das universidades estaduais de São Paulo continua e na Unesp e na Unicamp.

O movimento reúne pautas de permanência estudantil, moradia, reajuste de bolsas e financiamento das instituições. Os manifestantes também cobram criação de cotas para pessoas transgênero e mais contratações de docentes e servidores.

Na Unicamp, em greve desde 18 de maio, a disputa com a reitoria de Paulo Cesar Montagner escalou na noite de segunda-feira (8). Em assembleia, os discentes decidiram ocupar o prédio da Diretoria Geral da Administração, órgão responsável pelas principais decisões administrativas da universidade.

O DCE (Diretório Central dos Estudantes) afirmou que a instituição havia enviado emails tentando "chantagear" o movimento e impor o encerramento da greve sem formalizar as propostas já discutidas nas mesas de negociação. O espaço foi desocupado na mesma noite.

Em comunicado, a reitoria lamentou o ocorrido e condicionou a retomada das negociações ao fim da paralisação e à "garantia da integridade dos espaços públicos".

A instituição também destacou a compra de um terreno de 44 mil metros quadrados no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, com investimento de R$ 20 milhões, para ampliar o programa de moradia estudantil.

O anúncio foi contestado pelos estudantes, que cobram soluções imediatas. Em 2023, a Unicamp havia assinado carta-compromisso para criar grupo de trabalho sobre moradia no campus de Limeira; o grupo nunca foi instalado.

Greve na USP tem crise financeira como motor 

Na Unesp, a paralisação dos estudantes ganhou força com uma decisão da reitoria.

Em 29 de maio, a reitora Maysa Furlan suspendeu temporariamente a homologação de concursos públicos para docentes, pesquisadores e técnicos administrativos. A medida é válida ao menos até 25 de outubro, após o período eleitoral, e congela a contratação de 150 docentes e 100 servidores previstos no próprio orçamento aprovado para 2026.

A universidade justificou a decisão pela queda na arrecadação do ICMS, principal fonte de recursos das três estaduais paulistas, e disse que a medida visa equilibrar as questões orçamentárias.

A Associação dos Docentes da Unesp contestou. Em nota, a entidade afirmou que o orçamento aprovado pelo Conselho Universitário já prevê os recursos necessários para todas as contratações pendentes de homologação. "As contratações são de fundamental importância para mitigar o processo de deterioração da universidade", disse a entidade.

Os alunos, paralisados nos 24 campi, viram na situação a materialização de suas denúncias e decidiram seguir cobrando investimentos na instituição. Nesta quarta (10), eles estiveram numa manifestação conjunta na praça da República, no centro de São Paulo.

O orçamento da Unesp para 2026 foi aprovado com déficit de R$ 189 milhões, coberto por superávit financeiro acumulado. A parcela do ICMS destinada às estaduais paulistas não é reajustada desde 1995, apesar da expansão das universidades no período.

A partir de 2026, o tributo será substituído gradualmente pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) até 2033, transição que preocupa dirigentes das três instituições.

O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, afirmou ter repassado R$ 64,3 bilhões às universidades desde 2023, 28,9% a mais do que nos quatro anos anteriores, e que cumpre os repasses conforme previsto em lei.