04 de junho de 2026
'FILHA ADOTIVA'

Mulher de 37 anos é presa após fingir ter 12 e enganar família

Por Cristina Camargo e Bárbara Sá | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Amanda Maria Souza de Oliveira fingia ser criança

Uma mulher de 37 anos foi presa nesta terça-feira (2) pela Polícia Civil de Santa Catarina por fingir ter 12 anos e conseguir a ajuda de uma família, onde era tratada como filha adotiva.

Ao alegar ter sofrido abusos no Pará, ela conseguiu abrigo por mais de um ano na casa localizada no distrito de Pirabeiraba, em Joinville.

A prisão em flagrante foi feita por policiais da 6ª Delegacia de Polícia de Joinville. A mulher é suspeita de estelionato e falsa identidade. Ela foi encontrada na casa das vítimas, onde morava há 14 meses.

Segundo a polícia, a mulher usava o nome falso de "Gabriele" e justificava a aparência física alegando ser autista. Também dizia que havia sido forçada a usar hormônios durante a infância. O nome verdadeiro é Amanda Maria Souza de Oliveira.

Para o delegado Rodrigo Gusso, responsável pela investigação, o caso revela o "alto poder de convencimento e empatia" da mulher.

Quando os policiais chegaram à residência, encontraram uma situação que demonstrava o grau de envolvimento criado pela mulher. Ela tinha quarto próprio, recebia cuidados da família e era tratada como filha.

"O vínculo emocional era muito forte. A família acreditava realmente que estava acolhendo uma adolescente em situação de vulnerabilidade", afirmou Gusso.

A relação chegou ao ponto de a família organizar uma festa para celebrar o que seriam os 12 anos da jovem. A comemoração ocorreu meses após sua chegada à residência, quando ela já estava integrada à rotina da casa.

"A família tem um bom poder aquisitivo. Ela teve festa para comemorar o aniversário dos 12, pois disse quando chegou que tinha 11 anos", disse o delegado. De acordo com a investigação, a suspeita reforçava diariamente a identidade que havia criado. Brincava de boneca, fazia desenhos infantis, usava chupeta, mamadeira e mantinha objetos associados à infância.

"Ela vivia efetivamente como uma adolescente. O comportamento era infantilizado e compatível com a idade que dizia ter. Isso ajudava a afastar suspeitas e fortalecia a narrativa construída ao longo do tempo", disse o delegado.

Antes mesmo de passar a morar oficialmente com a família, a mulher já recebia ajuda financeira. Ela solicitava dinheiro e transferências via Pix, que eram encaminhadas para terceiros, afirmou a polícia. O exato valor movimentado ainda está sendo investigado.

Além de moradia e alimentação, ganhou roupas, presentes e outros itens pessoais. "Ela tinha um quarto próprio, decorado. Era tratada como filha pelo casal", disse Gusso.

Sempre que surgia a possibilidade de regularizar a situação por meio de uma adoção formal, a mulher apresentava uma justificativa para evitar qualquer procedimento oficial.

"Ela dizia que não queria ser adotada porque um suposto pai abusador poderia encontrá-la e levá-la embora. Era uma explicação que sensibilizava a família e fazia com que o assunto não avançasse", afirmou Gusso.

Levado à delegacia, o caso tomou outro rumo. Confrontada com as informações reunidas pelos investigadores, a mulher abandonou a identidade falsa e confessou a fraude, diz o delegado. "Quando foi questionada, ela confessou os fatos. Informou seu verdadeiro nome, apresentou CPF e revelou sua origem. Até então dizia ser do Pará, mas, na verdade é natural do Ceará", afirmou Gusso.

De acordo com a investigação, ela tem antecedentes criminais e já praticou crimes semelhantes nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.

A reportagem não localizou a defesa da suspeita.

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina foi procurado por email, mas não respondeu até a publicação do texto.