O futebol de várzea de Araçatuba viveu mais um capítulo de sua história neste fim de semana. Em comemoração aos 62 anos de fundação, o Verde e Vermelho recebeu o Master da AEA para um amistoso que reuniu gerações de atletas, dirigentes e torcedores em uma celebração marcada por emoção e nostalgia. O jogo foi realizado no campo da Fundação Mirim na manhã deste domingo (31).
Fundado há mais de seis décadas, o Verde e Vermelho nasceu de uma reunião entre amigos e, ao longo dos anos, tornou-se uma das equipes mais tradicionais do futebol amador da cidade.
Entre aqueles que ajudaram a construir essa trajetória está Haroldo Vieira Cassiano, considerado o jogador mais antigo atuando no clube e que atualmente é diretor da equipe.
“O Verde e Vermelho nasceu da vontade de bater bola, de alguns amigos que se reuniam no campo dos viajantes. Dali, foi para o “ferrinho” e em 1978 para a Fundação Mirim e está aqui até hoje”, destacou.
Para celebrar mais um aniversário, o Verde e Vermelho teve pela frente um adversário de tradição. O Master da AEA entrou em campo representando uma das equipes mais importantes da história do futebol profissional da região.
Ao longo dos anos, a Associação Esportiva Araçatuba revelou e recebeu atletas que marcaram época no esporte regional, o que tornou o amistoso ainda mais especial para os participantes. O presidente da equipe, Anselmo Ananias, teve que equilibrar os sentimos, afinal, também fez parte da história do Verde e Vermelho por quase dez anos.
“Todos os jogadores veteranos da AEA procuravam um ao outro para bater aquela bolinha e, assim, deu certo e criamos o time Master. Graças a Deus continuamos firmes após dez anos”, comentou.
Quando antigos amigos se reencontram em volta do futebol, as lembranças surgem naturalmente. Entre os personagens presentes estava Valdecir dos Anjos, o popular "Macaúba".
Ainda jovem, ele atuava como gandula da AEA e guarda na memória um episódio curioso ocorrido em um clássico contra o Tanabi, na década de 1980, quando acabou ajudando a evitar que a equipe araçatubense sofresse mais um gol.
“Saí correndo, pulei para fora e a polícia veio conversar comigo. Depois disso aí, comecei a dar entrevista, na época ganhei até um dinheirinho bom, comprei um fuscão. Daquele dia em diante nunca mais andei de bicicleta”, relembrou aos risos.
Mais do que um jogo, o encontro serviu para mostrar a ligação afetiva construída ao longo dos anos entre o clube e a comunidade.
É o caso de Luciro Roberto Lopes. Ex-jogador do Verde e Vermelho, ele já não entra mais em campo, mas faz questão de acompanhar a equipe e participar dos eventos promovidos pelo clube.
“Eu sempre fiz o churrasco, organizei junto à diretoria. Inclusive, o Verde e Vermelho durante a pandemia quase acabou, mas nem que fosse para eu jogar e não deixar acabar”.
Dentro das quatro linhas, o amistoso também teve emoção. A AEA abriu o placar em cobrança de pênalti. O Verde e Vermelho reagiu e empatou, também em uma penalidade.
Apesar da luta do aniversariante, a equipe do Master da AEA aproveitou melhor as oportunidades criadas e marcou mais duas vezes.
O placar final terminou em AEA 3 x 1 Verde e Vermelho.
Se dentro de campo houve vencedor, fora dele o resultado foi compartilhado por todos. Entre gols, histórias e reencontros, a comemoração dos 62 anos do Verde e Vermelho reforçou a importância do futebol de várzea para Araçatuba.
Mais do que uma equipe, o clube representa um patrimônio da comunidade, preservando memórias, fortalecendo amizades e mantendo viva uma tradição que atravessa gerações e continua desafiando o tempo.