31 de maio de 2026
ARTIGO

Menos mortes no trânsito

Por Ayne Salviano | Especial para a Folha da Região
| Tempo de leitura: 3 min

Mariana Tanaka Abdul Hak tinha 20 anos. Filha do diplomata Ibrahim Abdul Hak Neto, ela havia acabado de retornar ao Brasil depois de cursar Administração na Itália e iria trabalhar em uma multinacional no Rio de Janeiro. Morreu atropelada em Ipanema no último dia 16 de maio enquanto caminhava pela calçada acompanhada da mãe. Uma van perdeu o controle e atingiu as vítimas. Mariana chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.

Francisco Farias Antunes, de 9 anos, filho do humorista e roteirista Vinicius Antunes, o “Cacofonias”, morreu em março passado após ser atropelado por um ônibus na Tijuca, também no Rio de Janeiro. O menino estava em uma bicicleta elétrica com a mãe quando os dois foram atingidos. Ela morreu no local e Francisco chegou a ser socorrido, mas também não resistiu aos ferimentos.

Mariana e Francisco revelam uma realidade preocupante e urgente: o trânsito está matando muitas crianças e jovens brasileiros. Dados do Registro Nacional de Sinistros e Estatísticas de Trânsito mostram que, entre 2018 e novembro de 2025, mais de 4.386 crianças e adolescentes de 1 a 17 anos perderam a vida em acidentes de trânsito no país, em um total superior a 136 mil ocorrências envolvendo essa faixa etária.

Além das mortes, milhares de crianças e adolescentes sobrevivem aos acidentes com consequências graves e permanentes. Estimativas do Conselho Federal de Medicina indicam que, para cada pessoa morta no trânsito, pelo menos outras dez ficam com sequelas severas ou permanentes, como paraplegia, tetraplegia, amputações, traumatismos cranianos e limitações motoras. Entre vítimas de acidentes com motocicletas atendidas em hospitais especializados, cerca de um terço desenvolve sequelas permanentes, incluindo deformidades físicas, perda de movimentos e amputações.

Os números revelam a urgência de ações efetivas de prevenção, educação e fiscalização no trânsito. A segurança viária deve ser tratada como uma política pública prioritária, envolvendo o poder público, escolas, famílias e toda a sociedade civil. Também é fundamental incluir crianças e adolescentes nas discussões sobre mobilidade e cidadania, promovendo conhecimento, responsabilidade e conscientização desde cedo.

Estes são alguns dos objetivos do Maio Amarelo, um movimento internacional de conscientização que busca mobilizar a sociedade para enfrentar a violência no trânsito e reduzir o número de mortos e feridos nas vias urbanas e rodovias de todo o mundo. A campanha reforça a importância de atitudes responsáveis e do compromisso coletivo para tornar o trânsito mais seguro para todas as pessoas, especialmente crianças e adolescentes.

A iniciativa surgiu em maio de 2011, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a Década de Ação pela Segurança no Trânsito (2011-2020). Atualmente, o movimento integra a segunda fase da estratégia global (2021-2030) e estabelece como meta reduzir em pelo menos 50% as mortes e lesões causadas por acidentes de trânsito até o fim da década.

Mais do que uma campanha, o Maio Amarelo é um chamado à ação coletiva. Cada escolha no trânsito pode salvar vidas. E isto serve para gestores públicos, motoristas, ciclistas, motociclistas, pedestres, crianças, jovens e idosos. Promover a mobilidade segura nas cidades, estradas e rodovias é também proteger a infância e preservar as famílias. Somos todos responsáveis.

Ayne Regina Gonçalves Salviano é jornalista e professora. Mestre em comunicação e semiótica com MBA em gestão executiva