18 de maio de 2026
DÉFICIT

RMJ tem 800 mil habitantes e apenas 726 leitos do SUS

Por FLÁVIA ALVES |
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Divulgação
Martinelli afirma que é preciso ampliação gradual da oferta de serviços

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que a cada mil habitantes existam três a cinco leitos hospitalares. Com uma população de quase 800 mil pessoas na RMJ (Região Metropolitana de Jundiaí), e 726 leitos disponíveis no sistema público, o número total deveria ser quase o triplo, sem contar com os leitos da rede privada de assistência hospitalar. Segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), somente em Jundiaí os planos de saúde contemplam  279.676 pessoas, mas não há dados oficiais sobre número de leitos privados em nossa região.

Além disso, apesar do crescimento na saúde pública e privada, nos últimos 10 anos, o acesso ao cuidado intensivo ainda é desigual. É o que mostra levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Pelos dados, quem tem plano de saúde pode ter até cinco vezes mais chances de conseguir um leito do que quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo AMIB, entre beneficiários de planos de saúde, são 69 leitos por 100 mil habitantes. Já para usuários do SUS, a taxa é de 13 por 100 mil. O Sudeste concentra o maior número de leitos do país com 10.616 unidades em UTI pelo SUS. Uma das frentes de trabalho para ampliação da rede pública de saúde é a Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ), criada em 2021, composta por sete municípios (Jundiaí, Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista, Jarinu, Louveira, Itupeva e Cabreúva) e mais de 800 mil habitantes. De acordo com a Prefeitura de Jundiaí, a rede de saúde desta região é composta por 10 hospitais e 726 leitos, considerando unidades públicas, filantrópicas e de gestão estadual. Em Jundiaí, o Hospital Regional tem 70 vagas de leitos entre enfermaria e cirúrgicos, mas atende uma região que se estende até Atibaia e não oferece prioridade para moradores da RMJ.

Gustavo Martinelli é o presidente do grupo e afirma que a pauta da saúde tem sido tratada de forma permanente entre os municípios, especialmente diante do crescimento populacional e do aumento da demanda por atendimentos de média e alta complexidade. “A saúde é hoje uma das principais discussões regionais. Temos trabalhado de forma integrada entre os municípios para fortalecer a rede, ampliar a capacidade de atendimento e buscar novos investimentos junto aos governos Estadual e Federal. A RMJ possui uma estrutura importante, mas sabemos que o crescimento da região exige planejamento constante e ampliação gradual da oferta de serviços e leitos”, afirma Gustavo Martinelli.

Em Jundiaí, a estrutura da RMJ reúne hospitais para atendimento gerais, maternidade e atendimento especializado oncológico pediátrico, consolidando a cidade como referência regional em saúde. Martinelli ressalta ainda que as discussões regionais incluem melhorias nos fluxos de atendimento, fortalecimento da atenção especializada e estudos para ampliação da capacidade hospitalar nos próximos anos.

Repasse do Estado

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, foram repassados mais de R$ 305,2 milhões para 36 instituições da Região Metropolitana de Jundiaí. Para a ampliação da rede hospitalar na região de abrangência do Departamento Regional de Saúde de Campinas, o Governo de São Paulo repassou cerca de R$ 45 milhões para o Hospital e Maternidade de Várzea Paulista, para a aquisição de equipamentos e mobiliários da unidade. Um novo hospital ainda estaria sendo planejado em Campinas.

Parlamento Regional

Além da RMJ também atua o Parlamento Regional Intermunicipal da Região Metropolitana de Jundiaí, do qual fazem parte os presidentes das sete câmaras municipais. O último encontro do parlamento aconteceu na segunda-feira (11), em Itupeva. Durante o encontro, vereadores destacaram que, apesar de a região possuir um Produto Interno Bruto (PIB) superior a R$ 100 bilhões, ainda há carência de vagas hospitalares e leitos de saúde para atender a população. O atual presidente é Davi Bueno, de Itatiba, e, segundo ele, o grupo já solicitou reunião com o secretário da casa civil do governo do estado para entregar e discutir as demandas destas cidades.

“Estamos pleiteando o projeto para a construção de um novo hospital regional para a RMJ e assim poderemos aumentar o número de leitos e atender as demandas da população”, explica Davi Bueno. Segundo ele, os novos hospitais de Várzea Paulista e Campinas podem também suprir a demanda alta que existe na região. “Mas, para isso é preciso mudar o formato de atendimento”.