09 de maio de 2026
CRÔNICA

Pequenos pecados (1)

Por Jeremias Alves Pereira Filho | Especial para a Folha da Região
| Tempo de leitura: 2 min

Quem não os cometeu que atire a primeira pedra! Ahhh, todos cometeram sim! Eu, por exemplo, sempre os cometi, mas alguns nem achava que, de fato, eram pecados de pecador autêntico. Lembro-me nos tempos juvenis das “supermissas” realizadas nas escadarias do saudoso IE Manoel Bento da Cruz para multidão de estudantes esparramados na esplanada defronte ao prédio, por ocasião da Semana Santa. Só podia Comungar aqueles que tivessem passado pelos confessionários estrategicamente instalados no interior da escola. Era Padre de um lado do “armário” e molecada pecaminosa do outro lado.

Em casa, por educação liberal dos meus pais, nunca foi obrigatório frequentar igrejas, missas ou cultos religiosos de qualquer natureza ou ideologia. Qualquer filho estava autorizado e liberado para escolher seu próprio dogma, sem que isso constituísse falta ou pecado a ser penalizado. E ainda podia conversar sobre o assunto com eles livremente e sem receio de receber castigo ou punição.

Mas quando frequentava a Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida, na praça Rui Barbosa, na missa das 9h de domingo, me sentia com um certo pecado na alma não só pela ameaça constante do Padre oficiante como porque, na pura verdade que vos digo, meu interesse real ali era observar as meninas do Colégio das Freiras, mesmo bem de longe e elas compenetradas rezando. Não via a hora de o Vigário proclamar: “Ide em paz meus irmãos e que a Fé esteja convosco” ou algo parecido. E eu ia mesmo era estacionar meu corpinho adolescente no outro lado da Matriz, na calçada da Rui Barbosa, local privilegiado para ver a minha paquerinha do momento.

E no dia santificado da Comunhão no IE me enfileirava junto ao confessionário para aguardar o Padre perguntar: “ E aí, meu filho, conte-me seus pecados”. Sem ter o que dizer, eu dizia: ”Padre, pequei dentro da Igreja Matriz paquerando as meninas”. E ele: “Reze dois Pai Nosso e uma Ave Maria. Vá em paz, meu filho”. E lá ia eu absolvido, em plena paz de espírito e pronto para cometer um novo e emocionante pecadinho na missa do próximo domingo.

O autor é sócio de Jeremias Alves Pereira Filho Advogados Associados. Especialista em direito empresarial e professor emérito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Araçatubense nato.