19 de abril de 2026
RELIGIÃO

Júbilo

Por Charles Borg | Especial para a Folha da Região
| Tempo de leitura: 2 min

“Aleluia”! A Igreja Católica na França, como também em outros países pela Europa, está cantando o Aleluia duplamente motivada: expressar a exultação pela celebração do mistério fundamental da fé cristã, a Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo e, também, pelo significativo aumento de batismos de adultos realizados na Vigília Pascal do corrente ano. O mistério da Ressurreição de Cristo representa o fundamento da fé cristã. À medida que a fé ilumina o entendimento a perspectiva da vida muda, tanto no campo individual como também no campo coletivo.

Um novo, e revolucionário, estilo de vida, baseado na fraternidade, na solidariedade, no desapegado serviço, no perdão e na busca incessante por uma paz universal inspirada na justiça começa a tomar forma. A descoberta dessa sublime, e perfeitamente factível, proposta vem atraindo números maiores de jovens e de adultos a pedir o batismo e a ingressar na família católica. 21.000 catecúmenos, entre adultos e jovens, receberam os sacramentos de iniciação nesta Páscoa na França, três vezes a mais do que dez anos atrás.

Dado outro revelador atesta que a grande maioria, 82%, é gente advinda da chamada geração Zen, entre os 18 e 40 anos. Respondendo à questionário que buscava catalogar motivações que despertavam nos catecúmenos o impulso a solicitar ingresso na Igreja Católica, a maioria indicou o fascínio pelo mandamento do amor fraterno e sua importância no projeto de redefinir a maneira das pessoas relacionar-se entre si.

Para a grande maioria, somente a prática radical da solidariedade, do perdão, da comunhão entre as pessoas é capaz de renovar o ser humano e lhe garantir a paz. Emerge entre os candidatos a admiração pela Eucaristia e a inspiração que dela emana. Participar da Ceia Eucarística instituída por Jesus Cristo e ordenada a ser celebrada em sua memória anuncia não somente o pleno sentido da vida do Mestre de Nazaré como também inspira a viver como 
Ele viveu. No dizer de um catecúmeno, na última Ceia, o Senhor Jesus, viveu e deu novo e profundo sentido à proposta de fraternidade, fundamentada no espírito de serviço e alimentada por uma caridade pronta a sacrificar-se para semear esperança. Comunga-se o Corpo de Cristo para se transformar em pão partido para a vida do semelhante. Num mundo tão marcado pela cultura da morte, participar da Eucaristia é proclamar e advogar a supremacia da vida sobre a morte.

A mais eficaz proclamação do Evangelho se dá pelo exemplo da vivência fraterna. Plenamente compreensível é o júbilo por tanta gente optando por abraçar a fé. A razão da alegria vai muito além do estatístico proselitismo. Rejubila-se, fundamentalmente, por tanta gente estar encontrando em Deus, e na sua Igreja, razão justificada por amar viver e semear esperança na vida de tantos contemporâneos enfeitiçados por uma cultura de volúveis futilidades e egocentrismos exacerbados. Aleluia!

Padre Charles Borg é vigário-geral da Diocese de Araçatuba