14 de abril de 2026
POLÍTICA

Zema fala em 'podridão' no STF e defende prisão de 2 ministros

Por João Pedro Abdo | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Romeu Zema afirmou ser o ex-governador mais 'apaulistado' da história de Minas Gerais

Em disputa pelo eleitor de direita, o pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou que as revelações do caso do Banco Master sobre o STF (Supremo Tribunal Federal) afloraram "toda a podridão" na corte, que, segundo ele já "estava cheirando mal" havia "alguns anos".

O ex-governador de Minas Gerais também defendeu o impeachment de "pelo menos dois" ministros do Supremo -e a prisão de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli- e mudanças nos critérios de escolha, como a adoção de uma lista com nomes.

As ligações desses ministros com Daniel Vorcaro, dono do Master, ajudaram a degradar a imagem da corte. Para o pré-candidato do Novo, o momento do tribunal é de "farra dos intocáveis" e o "clima de indignação" para este ano eleitoral é maior do que foi em 2018.

Zema tem tido dificuldade de avançar nas pesquisas de intenção de voto. No levantamento mais recente do Datafolha, apareceu com 4% das intenções de voto, tecnicamente empatado com Ronaldo Caiado (PSD, 5%), Renan Santos (Missão, 2%), Aldo Rebelo (DC, 1%) e Cabo Daciolo (Mobiliza, 1%).

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) lideram, com 39% e 35%, respectivamente.

Ao comentar sua relação com o estado de São Paulo, Zema afirmou ser o ex-governador mais "apaulistado" da história de Minas Gerais. O político do Novo estudou administração de empresas na FGV (Fundação Getúlio Vargas).

As declarações foram dadas em evento na ACSP (Associação Comercial de São Paulo) nesta segunda-feira (13), na sede da organização, no centro de São Paulo.

Zema também defendeu a revisão em programas sociais e criticou as discussões sobre mudanças na jornada de trabalho em ano eleitoral.

"Tem marmanjo de 20, 25 anos recebendo Bolsa Família que fica o dia inteiro no sofá jogando videogame", afirmou. Segundo ele, há pessoas que se negam a ter empregos formais para se manterem nos programas.

Em 2024, o ex-governador foi criticado por atacar programas sociais. Na ocasião, ele associou o Bolsa Família a uma escassez de mão de obra. O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), rebateu à época.

"Muitas vezes a falta da informação correta da verdade leva a uma ideia de que as pessoas estão viciadas, não querem trabalhar ou assinar a carteira", disse o titular da pasta ao então governador.

Para Zema, o debate sobre o fim da escala 6x1 em ano eleitoral é "populismo e demagogia" do governo. "Eles consideram um prêmio, mas nós sabemos que é algo nocivo para boa parte da população."

Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta que a redução na jornada de trabalho poderia aumentar em 7,8% o custo da mão de obra no mercado brasileiro. Esse efeito, entretanto, poderia ser absorvido pela economia, segundo o instituto.

A segurança pública também foi abordada. Zema já defendeu publicamente que o Brasil tome medidas similares às adotadas em El Salvador, pelo atual presidente Nayib Bukele. O país da América Central ficou conhecido por reformas no sistema policial e jurídico.

A gestão de Bukele é criticada por suas tendências autocráticas e é alvo de denúncias por violação de direitos humanos. Em julho de 2025, o Legislativo salvadorenho, de maioria governista, aprovou uma alteração à Constituição que permite reeleições sucessivas.

Ao final do evento, Zema comentou a possível indicação como vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Ele lembrou o apoio entre os partidos em cinco estados, mas que pretende levar a campanha "até o final". Ele também afirmou que o Novo "aprendeu a fazer política".

O ex-governador gravou um vídeo com o senador no domingo (12) no qual brinca com uma possível chapa com os dois nomes. "Estou aqui com o Flávio fazendo convite para ser meu vice. O que vocês acham?", diz Zema.