A sessão desta segunda-feira (6) na Câmara Municipal de Campinas foi marcada por um recuo político em meio à repercussão de homenagens propostas para nomes ligados ao cenário nacional.
O projeto que concederia o título de Cidadão Campineiro ao Padre Kelmon foi retirado de pauta antes de ser votado, após gerar questionamentos e potencial desgaste no plenário.
A proposta, apresentada pelo vereador Nelson Hossri (PSD), tramitava em regime de urgência e chegou a provocar reação por não apresentar vínculo direto com a cidade que justificasse a homenagem.
Padre Kelmon ganhou notoriedade nacional durante a eleição presidencial de 2022, especialmente por participações em debates e embates com outros candidatos, o que também contribuiu para a politização da proposta.
Nos bastidores, a avaliação foi de que a votação poderia ampliar a polarização no plenário. A retirada da proposta evitou um embate direto entre vereadores e a exposição pública de divergências.
Além do projeto envolvendo Padre Kelmon, outra proposta do mesmo autor — que concederia o título ao deputado federal Ribamar Silva — também foi retirada da pauta.
As duas iniciativas tinham em comum o fato de homenagear figuras sem trajetória consolidada em Campinas, o que ampliou o questionamento sobre os critérios adotados.
Enquanto isso, o projeto que concedia o Diploma de Mérito Mulher de Ação “Dorcelina de Oliveira Folador” à Zoe Martínez foi aprovado.
A justificativa destaca a atuação da parlamentar, que já teve passagem por Campinas, além de sua presença no debate político e participação em comissões no Legislativo paulistano.
A movimentação na sessão reacende uma discussão recorrente na Câmara: os critérios para concessão de honrarias e o uso político dessas homenagens.
No caso de Padre Kelmon, a ausência de ligação direta com a cidade foi um dos pontos mais sensíveis, somado ao contexto político nacional, que tende a reverberar localmente.
Com o recuo, a Câmara evita um desgaste maior em um tema que poderia dominar o debate da sessão, mas mantém em aberto a possibilidade de que os projetos retornem futuramente.
Por ora, o episódio evidencia que, mesmo em votações simbólicas, o ambiente político segue altamente sensível à polarização e à repercussão pública.