Não é o que você está imaginando... Não se trata de “venda ideológica ou religiosa”, ainda bem. Ocorre que o prédio onde sempre esteve instalada a 1ª. Igreja Batista de Araçatuba foi posto à venda no plano chão, apenas comercial. O imóvel, que nos primórdios devia ter valor simbólico de mercado, hoje vale uma pequena fortuna, situado na rua Joaquim Floriano a poucos metros da praça Rui Barbosa, no coração mesmo da cidade.
A tradicional comunidade iniciou suas atividades na antiga Avenida do Café, nome esse espetacularmente melhor do que a atual rua Marechal Deodoro, o que um belo dia vai virar ácida crônica nesse mesmo espaço. Fato é que que um coeso grupo de 31 membros se reunia nas manhãs de domingo para cultuar num galpão alugado, construído aos fundos de uma frondosa paineira que o protegia do já famoso e exclusivo sol africano de Araçatuba. E no preciso dia 15 de março de 1936, há exatos 90 anos atrás, foi oficialmente organizada e fundada a Igreja Batista.
O tempo passou e a comunidade cresceu, a ponto de adquirir um bom terreno na Joaquim Floriano, em 1944, onde, então, foi erguida a sede da instituição num icônico prédio com o “design” de uma enorme cruz cravada na fachada, cujo ápice termina na ponta de um triângulo cerca de 50 metros do chão.
Na época, sua “torre” se destacava no horizonte plano da cidade tal como as da Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida e da Igreja Metodista, ambas ali pertinho na praça Rui Barbosa e que foram indecentemente demolidas, como também se avistava à distância a bela Igreja de São João e São judas Tadeu, na praça São João, que persiste bravamente de pé sob a proteção de seus Santos e da população aguerrida do bairro.
Pois é... Corre sério risco de desaparecer fisicamente o belo prédio da Igreja Batista, apagando, com isso, mais um pedaço da parca memória arquitetônica e cultural de Araçatuba, coisa que, ao que tudo indica, os governantes de plantão sempre se empenharam em praticar com sucesso. A esperança é que o tradicional edifício esteja “tombado” pela Secretaria Municipal de Cultura — ou pelo órgão que couber —, para não ser demolido ou ter alterada sua fachada, até porque, agora colada nela, uma triste placa de “vende-se” está ao lado de outra, melancólica, anunciando alternativamente “aluga-se”.
Jeremias Alves Pereira Filho é sócio de Jeremias Alves Pereira Filho Advogados Associados. Especialista em direito empresarial e professor emérito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Araçatubense nato