13 de março de 2026
FAPESP

Justiça condena servidora da Unicamp por desvio de R$ 4,2 milhões

Por Thiago Rovêdo | Especial para Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 1 min
Divulgação/Unicamp
Antiga servidora da Universidade Estadual de Campinas foi condenada

Uma servidora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) foi condenada a cinco anos de prisão, em regime inicial fechado, pelo desvio de mais de R$ 4,2 milhões destinados à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A sentença foi proferida no dia 4 de março pela juíza Lissandra Ceccon, da 1ª Vara Criminal de Campinas, após denúncia do Ministério Público Estadual.

De acordo com a ação penal, os desvios ocorreram entre 2017 e 2024, período em que a ré atuava na Secretaria de Apoio Institucional ao Pesquisador da universidade. Ela tinha acesso a cartões bancários, senhas e ao sistema de prestação de contas, o que facilitou a execução do esquema.

Segundo as investigações, a funcionária criou uma empresa de fachada para emitir notas fiscais fraudulentas de serviços e compras que nunca foram realizados. Ela também falsificava recibos em nome de terceiros para simular pagamentos legítimos. Ao todo, foram identificadas 27 ocorrências de peculato e 189 de lavagem de dinheiro.

Os valores desviados abasteciam contas ligadas a 26 pesquisadores, mas, ironicamente, acabaram prejudicando os próprios estudos científicos que deveriam financiar. Um dos casos mais emblemáticos foi o de uma pesquisa sobre a doença de Chagas, enfermidade negligenciada que afeta populações vulneráveis, que ficou seriamente comprometida pela falta de recursos.

Além do prejuízo financeiro e científico, a conduta da ré também causou danos à reputação dos envolvidos. "A ação da acusada trouxe abalo emocional para diversos pesquisadores que tiveram seus nomes injustamente ligados ao esquema e chegaram a ser processados pela FAPESP para devolução dos valores", destaca trecho da sentença.

A condenada terá ainda que devolver os R$ 4.265.443,97 aos cofres públicos, valor que será corrigido monetariamente desde o início da ação penal.