09 de julho de 2026
CRÔNICA

Hélio Consolaro: Sílvio Santos só acumulou

Por Hélio Consolaro | Especial para a Folha da Região
| Tempo de leitura: 1 min
Hélio Consolaro: 'posso falar bem dele, como também posso esculhambar com o apresentador'

Não li nada sobre Sílvio Santos, nem quero saber o seu nome verdadeiro, vou ignorá-lo como sempre fiz. Ele é um homem do sistema que conseguiu driblar. Nunca comprei nada dele, nem carnê. Era uma pessoa que brincava com as pequenas esperanças dos pobres. Não gosto das pessoas oportunistas, o cara não tinha escrúpulos.

Mas como posso julgar as pessoas, sem conhecer os detalhes de sua vida? Não estou querendo perdoar bandido, mas nem sempre as pessoas fazem o que querem. Não somos só maldades e nem só bondades. Até santos habitam os presidiários.

Nestes tempos mais exigentes, Sílvio Santos foi denunciado em várias situações, até foi acusado de racista. Eu confundia a voz dele com a do Lombardi. Pelo menos as acusações sobre ele não foram tão graves como as do ex-dono das Casas Bahia (Samuel Klein).

Posso falar bem dele, como também posso esculhambar com o apresentador. Vai depender de que lado vou jogar os holofotes. Pablo Neruda foi admirado como poeta, até recebeu prêmio Nobel de Literatura, mas agora descobriram que seus biógrafos esconderam o lado obscuro do escritor.

Sílvio Santos me chamou atenção, mas só isso, apenas se preocupou em construir um belo patrimônio; mas também não posso esconder que foi uma personalidade da TV brasileira. Inté, meu caro!  

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor em Araçatuba.