O quimono, a faixa, e as muitas medalhas. Tudo parece fazer parte de um passado muito distante para Stanislav Horuna, embora essa realidade tenha mudado há apenas uma semana. É que o tempo na guerra conta de forma diferente. Medalha de bronze nas Olimpíadas de Tóquio, o carateca sempre foi uma referência para seus colegas. Isso não mudou. A diferença é que agora Horuna, assim como muitos ucranianos, organiza um foco de resistência em seu país.
Chamado para servir ao exército ucraniano desde o primeiro dia em que a Rússia invadiu seu país, Horuna correu para deixar sua família a salvo em países vizinhos. Depois, se juntou ao grupo que busca por infiltrados russos na cidade de Lviv. Em breve, espera ser chamado para o fronte de guerra.
“A vida de milhões de pessoas mudou em um segundo, após a invasão da “nação irmã” (como a Rússia se posiciona em relação à Ucrânia). Eu não decidi ir para a guerra. A guerra veio até mim. Esse é o meu dever como cidadão. Mandei minha família para o exterior, e agora estou tranquilo que posso ter mais mobilidade sem cuidar deles. Sem medo, apenas foco total no que está acontecendo. Eu e meu irmão acomodamos nossos amigos em nosso apartamento. Eu patrulho dias e noites na base militar, pois há muitos sabotadores que chegaram legalmente poucos meses antes da guerra. Estou aguardando a decisão do comandante para ir para a luta”, disse.
REDES SOCIAIS
A conversa com Horuna foi feita através de redes sociais durante alguns dias. Mesmo imerso na guerra, o atleta quis falar com a reportagem porque acredita que o mundo precisa ter a real noção do que está acontecendo dentro do seu país.
“Eu quero que o mundo saiba quem é Putin e como ele controla sua nação. A maioria dos russos tem medo do FSB (serviço de segurança federal) e da polícia. Eles podem facilmente ser presos por apenas falarem. Não há liberdade de expressão! Insanamente no século 21. Todas as mídias são totalmente controladas. A propaganda manipula as pessoas”, acusou,