09 de julho de 2026
Araçatuba

Live oficial com fake news

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

O Brasil tem feito um esforço hercúleo para combater as fake news. A imprensa e instituições como o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) fazem campanhas ininterruptas para pedir para que os cidadãos sejam criteriosos com o consumo de notícias. Há muita gente lucrando financeiramente e eleitoralmente com o esparrame diário de notícias falsas ou distorcidas.

 E o que se espera é que a as autoridades, que são referência para a população, façam o mesmo esforço. Mas, lamentavelmente, de onde mais se espera pudor e cuidado é que vem os piores e mais escabrosos casos.

Em ação inédita, o Facebook e o Instagram foram obrigado a retiraram do ar neste domingo (24) a live da última quinta-feira (21) do presidente Jair Bolsonaro. Na transmissão, o chefe do Executivo disse que pessoas que tomaram duas doses da vacina contra o novo coronavírus no Reino Unido estão desenvolvendo aids. A afirmação, que é mentirosa, foi desmentida por cientistas de todo o mundo e publicada em um site inglês conhecido por espalhar teorias da conspiração.

O vídeo de Bolsonaro infringiu a política da empresa em relação à vacina da covid-19. “O Facebook está apoiando o trabalho da comunidade global de saúde pública para manter as pessoas seguras e informadas durante esta crise. Nosso objetivo é garantir que todos tenham acesso a informações precisas, removendo conteúdo prejudicial e apoiando pesquisadores de saúde com dados e ferramentas”, diz mensagem na página da companhia sobre a atuação da gigante da tecnologia durante a pandemia.

“Lamentavelmente, de onde mais se espera pudor e cuidado é que que vem os piores e mais escabrosos casos.”

Ambas as redes sociais têm como política a responsabilidade de “reduzir a disseminação de notícias falsas”. O Facebook afirma estar empenhado “em criar uma comunidade mais bem informada e em reduzir a disseminação de notícias falsas”, enquanto o Instagram diz trabalhar “com verificadores de fatos independentes no mundo todo que analisam conteúdo em mais de 60 idiomas”.

Na manhã ontem, a live continuava disponível no canal do YouTube de Bolsonaro. Procurada, a plataforma não respondeu até a publicação desta matéria se pretende impor alguma sanção ao vídeo do presidente.

Esta é a primeira vez que a companhia de Mark Zuckerberg tira do ar uma live semanal de Bolsonaro. Anteriormente, o Facebook só tinha removido uma publicação do presidente feita em março de 2020 em que ele citava o uso de cloroquina para o tratamento da covid-19 e defendia o fim do isolamento social.

Em entrevista à rádio sulmato-grossense Caçula ontem, Bolsonaro disse ter se informado por uma matéria publicada em outubro de 2020 pela revista Exame. A publicação menciona um estudo sem comprovação que associa o adenovírus tipo 5, presente de forma inativa em alguns imunizantes contra covid, ao aumento do risco de infecção pelo vírus da Aids. Nenhum teste corroborou essa hipótese durante a fase de aprovação das vacinas.