15 de maio de 2026
Cultura

Folclore: a exaltação da cultura popular

Por Redação |
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FESTA Comemoração do Folclore no barracão da escola de samba Sonho e Fantasia, em 2019 - (Foto: Divulgação)

CULTURA Relembrar e vivenciar o folclore é manter vivos os costumes e a produção artística nacional

Em 22 de agosto é comemorado o Dia do Folclore. A data foi criada pelo escritor inglês William John Thoms em 1846. O termo no idioma é "folklore", que é a junção de "folk" (povo, popular) com "lore" (cultura, saber) para definir os fenômenos culturais típicos de cada nação.

Já no Brasil, a data foi oficializada em 1965 por um decreto assinado pelo presidente militar Humberto de Alencar Castello Branco e o Ministro da Educação Flávio Suplicy de Lacerda. O objetivo era incentivar estudos para preservar o acervo do folclore brasileiro. Sua importância é normalmente reforçada nas escolas, principalmente nas de ensino infantil.

ARAÇATUBA

Em Araçatuba há um projeto chamado Folclorear que surgiu em 2011 de uma junção do Catira Araçatuba com o Projeto de Danças Folclóricas Tradicionais Brasileiras.

INICIATIVA Coordenado pela pedagoga Fernanda Colli, o projeto tem apoio de monitores e professores especialistas - (Foto: Divulgação)

Todo ano o projeto trabalha com grupos nas escolas municipais de Araçatuba por meio da dança popular para mostrar as diferentes influências de valores, crenças e etnias. Mesmo o folclore sendo celebrado em agosto, esses eventos e apresentações ocorrem o ano todo.

O Folclorear já participou de vários eventos na cidade, programas e documentários graças a valorização e respeito do povo de Araçatuba pela nossa cultura. O projeto é coordenado pela pedagoga, psicopedagoga e Arte Educadora Fernanda Colli, 33, que também é uma das autoras da coluna "Tantas Palavras" na Folha da Região, e o coreógrafo é o José Nonato, 41, que também é pedagogo, dançarino e figurinista.

Fernanda conta que o projeto tem o apoio de monitores e professores que se especializam em diversas danças tradicionais brasileiras e que há uma lista de escolas interessadas que eles buscam atender a demanda. No momento eles estão parados por conta da pandemia, mas tem previsão de retorno aos ensaios presenciais ainda nesse semestre.

"Trabalhar com cultura popular na escola é preservar nossas raízes e fomentar a importância de nossas memórias e tudo o que nossos antepassados construíram. Falar sobre as culturas tradicionais também oportuniza a reflexão sobre acertos e erros cometidos até aqui, para que nossa geração possa evoluir através das experiências até os dias de hoje", conta Fernanda.

Normalmente, o Folclorear participa tanto de apresentações internas da escola participante, realiza intercâmbio com elas, como também participa de outros eventos relacionados à cultura popular.

A versatilidade do projeto também permite que ocorra durante o ano todo com apresentações previamente agendadas e são sempre organizadas de acordo com os principais festejos da cidade. Elas envolvem não só a comunidade escolar, como também famílias e simpatizantes da cultura.

"A proposta do projeto é abordar, além da catira, dança tradicional da cidade, todos os estados brasileiros e por isso sempre há uma pesquisa prévia das manifestações, bem como surgimento, influência e posteriormente fazemos um levantamento sobre a dificuldade dos passos, confecção dos figurinos, para chegarmos aos alunos com a proposta e finalmente a culminância de todo o processo, que é uma apresentação finalizada", relata a pedagoga.

Os figurinos são confeccionados por Nonato de acordo com pesquisas relacionadas às indumentárias tradicionais de cada dança. Em alguns momentos, os alunos também participam da confecção de adereços e acessórios.

Fernanda acrescenta que as crianças gostam e se identificam com a dança, que além de uma manifestação artística também é um resgate às tradições e aos costumes locais.

2021

Apesar de estarem paralisados por causa da pandemia, o grupo está voltando aos poucos. Nesta sexta-feira (20) foi realizada uma apresentação no Cemfica Solar Dr. Bezerra Menezes, que exaltou a cultura nordestina com a dança do Xaxado e a paraense dança do Carimbo.

DUPLA José Nonato e a aluna Ana Laura apresentaram a tradicional dança nordestina do Carimbo - (Foto: Divulgação)

Os ensaios aconteceram duas vezes por semana com apenas um par, por motivos de segurança da Covid-19. Os dois usaram máscara, inclusive, na apresentação. E pelo mesmo motivo, a apresentação foi só para alunos e professores e em dois intervalos, para não aglomerar as crianças.

Para José, o projeto significa o eixo da sua formação. "Foi através dele que me identifiquei na arte cultural, desde quando iniciei. Então todo fundamento que eu tenho na educação eu devo ao projeto. Ele é o meu centro, meu eixo de formação. Tudo o que eu faço já emerjo em cima dele", relata.

Ele acrescenta que se emociona quando tem apresentação com as escolas, principalmente as mais carentes. Inclusive, as que mais o tocam são as de dança nordestina.

O projeto da dupla, que já ganhou dois prêmios Odette Costa, tem parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e o aval da Secretaria da Educação.

*Maryla Buzati, estudante de Jornalismo e estagiária da Folha da Região