Era sempre assim. Ainda garoto, ao ganhar um campeonato, Italo Ferreira corria para casa com o troféu em mãos. Tinha destino certo: mesmo quando seu mundo se resumia a uma prancha de isopor, ia direto para o quarto de sua avó.
Era lá que o jovem surfista exibia a mais recente conquista para uma de suas maiores incentivadoras. Mariquinha, como era chamada, faleceu em 2019. Mas, assim como fez quando foi campeão mundial, no mesmo ano, Italo quer manter o ritual com o ouro olímpico conquistado nos Jogos de Tóquio.
“- Minha vó foi uma figura. A gente sempre brincava, zoava um ao outro. Ela sempre me dava força. Quando eu voltava do campeonato, a primeira coisa que eu fazia era mostrar o troféu para ela. Quando eu fui campeão do mundo, eu levei o troféu no quarto dela e ela não estava. Mas continuei no mesmo ritual e provavelmente vou levar a medalha lá no quarto dela de novo. Acho que a gente tem que aproveitar cada momento, aproveitar aqueles que a gente ama. Ela foi uma pessoa que realmente aproveitei muito e só tenho boas memórias. Acho que ela lá de cima está muito orgulhosa”, contou.
O sonho de sua avó era que Italo abrisse caminho pelas águas de Baía Formosa, no Rio Grande do Norte, até o título de campeão brasileiro. Ele foi além. Enfileirou títulos e se firmou como um dos grandes surfistas de sua geração. O ouro em Tóquio é, mais uma vez, em nome dela.