10 de julho de 2026
Polícia

Samu Araçatuba visita mãe e filho salvos em parto complicado

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min
REENCONTRO Equipe do Samu Araçatuba salvou a vida de Liliane e do pequeno Gabriel; agilidade foi fundamental. Foto: Divulgação

Parto foi realizado no local, devido à dificuldade de locomoção no prédio cheio de escadas e sem elevador; socorristas foram fundamentais

Alessandra Nogueira

A dona de casa Liliane Vieira Pinto, 21 anos, de Araçatuba, e o pequeno Gabriel Henrique, de apenas 20 dias, receberam uma visita especial na última semana. As equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e do Corpo de Bombeiros, que salvaram a vida da mãe e do filho, durante um parto complicado, estiveram na residência da família para rever os pacientes especiais.

A história teve um desfecho feliz, graças à rápida atuação dos socorristas, mas teve momentos dramáticos e de muita apreensão. O caso aconteceu na manhã do dia 22 de junho, quando Liliane, grávida de 35 semanas e seis dias, teve um sangramento e fortes dores no baixo ventre, seguidas do rompimento da bolsa. Sem condições de descer as escadas do prédio onde mora no quarto andar, a saída foi pedir socorro.

Eram 9h57 quando o médico do Samu Carlos Mori recebeu a ligação da mãe e saiu em disparada rumo ao apartamento da gestante, no bairro Aviação, com uma Unidade de Suporte Avançado (USA). Em menos de um minuto, a equipe chegou ao local e se deparou com a grávida já em trabalho de parto, deitada em sua cama.

Ao fazer o exame de toque e constatar dilatação total, o médico decidiu fazer o parto no local, devido à dificuldade de locomoção no prédio cheio de escadas e sem elevador. A situação, porém, se agravou, porque a mãe teve uma convulsão e estava com um pico hipertensivo (pressão alta), o que sinalizava uma crise de eclâmpsia, doença grave que acomete gestantes e pode levar à morte.

Devido à crise, a mãe não conseguiu auxiliar no trabalho de parto, que segundo o médico, foi bem complicado. "Estava diante de uma gestante grave e, provavelmente, de um bebê que poderia apresentar uma gravidade", contou. Em razão disso, solicitou apoio de outra viatura e a mais próxima era uma unidade de resgate do Corpo de Bombeiros.

Enquanto continuava com todos os cuidados do parto, com manobras para a expulsão do bebê, o médico notou que o cordão umbilical estava envolto no pescoço da criança. Com a maior agilidade, Mori conseguiu realizar o parto natural, mas quando o bebê nasceu, estava em parada cardiorrespiratória.

"Realizamos procedimentos de ressuscitação, massagem, reanimação, manobras de desengasgamento, já pensando numa aspiração de mecônio (as primeiras fezes do bebê)", contou Mori.

Após as intervenções, houve o retorno da circulação espontânea, o bebê voltou e foi levado à UTI Neonatal da Santa Casa de Araçatuba. Na sequência, a mãe também foi deslocada até o hospital, por uma outra equipe do Samu que foi acionada para dar suporte no atendimento.

A mamãe Liliane teve alta hospitalar no dia 24 de junho. O pequeno Gabriel Henrique, que nasceu com 44,5 centímetros e 2.260 kg, teve de ficar internado na UTI Neonatal, mas vinha recebendo o leite da mãe, que se deslocava ao hospital todos os dias. No dia três de julho, após 11 dias internado, o bebê teva alta hospitalar.

 O reencontro com as equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros foi na última terça-feira (6) e marcado por muita emoção. "Em todo o meu tempo na medicina, este foi o momento mais marcante", disse o médico Carlos Mori, que fez o parto.

Ele conta que ele e os profissionais que prestaram todos os cuidados viveram momentos de angústia durante o atendimento. "Em um parto, espera-se que tudo ocorra normalmente, mas, neste caso, aconteceu tudo de uma vez", disse. "Ficamos muito emocionados, eu e as três equipes que ajudaram nos procedimentos", disse.

Liliane é pura gratidão com os profissionais que a socorreram. "Agradeço primeiro a Deus e depois a eles. Meu filho nasceu sem respirar e eles salvaram a vida dele e também a minha", afirmou a mamãe de primeira viagem.