ANIVERSÁRIO Artista tem um acervo de mais de 800 títulos, incluindo canções e composições para colegas, fez parcerias históricas e esteve no auge por décadas
Neste dia, há 80 anos, nascia um ícone da música brasileira, conhecido como um dos principais nomes do gênero que conhecemos hoje como rock nacional, o cantor e compositor Erasmo Carlos.
Em comemoração ao aniversário do artista, a Folha da Região homenageia o cantor que tanto contribuiu para a música nacional. Erasmo marcou uma geração, sendo um símbolo da juventude "sexo, drogas e rock n' roll".
Erasmo Esteves nasceu no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, em 5 de junho de 1941. Foi criado pela mãe e praticamente não conheceu o pai. No seu livro "Minha Fama de Mau", Erasmo fala abertamente sobre seus tempos de juventude com humor e da vida sexual.
Em entrevista à revista Veja, já relatou que ele e o amigo Marcos Antônio passaram três dias e três noites com diversas mulheres e que já levou adolescentes ao apartamento de Carlos Imperial junto com Eduardo Araújo, mas que não chegou a tocar nelas.
No livro, ele não cita o suicídio de sua mulher, Narinha, em 1995, nem da morte de sua mãe, pois queria fazer um livro só com memórias boas. Em entrevistas, já revelou que foram os momentos mais tristes que já enfrentou.
CARREIRA
Na adolescência, Erasmo Carlos se reunia com amigos no hoje conhecido "Bar Divino", na capital carioca. Lá, ele se encontrava com Tim Maia, com quem brigou no momento em que se conheceram, e Jorge Ben.
Foi após o show de Bill Haley no Maracanãzinho que ele conheceu Roberto Carlos, e que também decidiu se engajar na mesma área. No seu bairro, formou a banda "Snakes". Na época, também havia os Sputniks, com os outros amigos. Porém, este grupo terminou após uma briga entre Roberto e Tim Maia.
Os Snakes foram contratados pela gravadora pernambucana Mocambo como concorrentes dos Golden Boys. Assim, eles gravaram "78 RPM" e um compacto duplo em 1960. E, por fim, um único LP, o "Só Twist", pela CBS em 1961. Mesmo assim, o grupo não alcançou sucesso.
Sem seu grupo e sem perspectiva de seguir carreira solo, Erasmo começou a trabalhar como assistente do apresentador e produtor Carlos Imperial, logo após o surgimento do grupo "Renato & Seus Blue Caps", em 1962.
O artista dividia os vocais com o baixista Paulo César. O grupo publicou seu primeiro LP para a Copacabana e mais tarde gravou "Splish Splash" com Roberto Carlos, em uma versão em português feita por Erasmo. O disco fez sucesso, garantindo a contratação do Blue Caps pela CBS e o nascimento da parceria entre Roberto e Erasmo.
Erasmo tornou-se Erasmo Carlos e começou a compor para diversos artistas nacionais e a fazer sucesso pelas parcerias com Roberto Carlos. Em 1964 gravou com a RGE, gravadora mais direcionada à MPB e ao samba.
O pop-rock brasileiro começou com o rock n' roll dos anos 50, passou pelo twist do início dos anos 60 e chegou ao iê-iê-iê, com a então última gravação e que tinha um comportamento inspirado na beatlemania, movimento cultural inspirado nos Beatles.
JOVEM GUARDA
Em 1965, a Rede Record estrelava o programa "Jovem Guarda", apresentado por Roberto, Erasmo e Wanderléa. Com a visibilidade, a dupla masculina virou os principais nomes do movimento, de canções e de composições para muitos outros artistas.
Em seu tempo na RGE, Erasmo gravou discos com o Blue Caps, The Jet Black's, The Jordans e o Som Três, de César Camargo Mariano. Após o fim do movimento, ele se aprofundou na Bossa Nova e na MPB, gravou "Aquarela do Brasil" em 1969 e foi contratado pela PolyGram.
No início dos anos 70, a PolyGram formou o saudoso elenco de artistas MPB. Foi onde Erasmo gravou discos influenciado pela sua paixão pelo rock, pelo movimento tropicalista e pela música negra americana, como "Carlos, Erasmo..." (1971), "Sonhos & Memórias 1941-1972" (1972). "Pelas Esquinas de Ipanema" (1978). E já nos anos 80 com "Erasmo Carlos convida..." (1980), "Mulher (Sexo Frágil)" (1981) e "Amar Pra Viver ou Morrer de Amor" (1982).
Com 60 anos de idade, lançou seu 22º disco, o "Pra Falar de Amor", que teve também lançamento em DVD, o "Erasmo Ao Vivo". No final de 2002 comemorou seus 40 anos de carreira com o lançamento de "Mesmo Que Seja Eu", contendo toda sua discografia de 1971 a 1988.
No ano seguinte, foi o grande homenageado do 10º Prêmio Multishow de Música, e ganhou um prêmio especial pelo conjunto de sua obra. Em 2007, lançou o "Erasmo Carlos Convida II", com a participação de Chico Buarque, Lulu Santos, Zeca Pagodinho, Skank, Los Hermanos, Os Cariocas, Djavan, Adriana Calcanhoto, Kid Abelha, Simone e Milton Nascimento. Nesse período começou a escrever "Minha Fama de Mau", e lançou a canção em 2009.
PRÊMIOS
Erasmo retornou ao seu lado rocker com o álbum "Rock n' Roll", com o qual conquistou o prêmio de melhor CD do ano e uma indicação ao Grammy Latino.
Em 2011, lançou o álbum "Sexo", cheio de letras eróticas. No mesmo ano, foi indicado a melhor show pelo jornal "O Globo", melhor capa nos últimos 25 anos pela "Folha de São Paulo", considerado como um dos melhores álbuns do ano e "Roupa Suja" entre as melhores músicas pela revista "Rolling Stone". Participou do Rock in Rio ao lado de Arnaldo Antunes.
O artista ainda gravou mais um CD e DVD, mas desta vez em comemoração aos 50 anos de carreira. Contou com algumas participações clássicas e canções de sucesso. Em 2018, Erasmo Carlos ganhou o Prêmio de Compositor Brasileiro pelo conjunto de sua obra, que já soma mais de 800 títulos.
*Maryla Buzati, estagiária da redação da Folha da Região