A Santa Casa de Araçatuba já colocou na Cross ( Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde) para que um total de três pacientes que estão internados na UTI Neonatal e Pediátrica da Santa Casa de Araçatuba em quadros clínicos de suspeita de covid sejam transferidas para outros hospitais.
A remoção será necessária porque a Vigilância Sanitária do Departamento Regional de Saúde de Araçatuba, negou o pedido para credenciamento e habilitação de cinco leitos intensivos pediátricos, em caráter emergencial.
O hospital que desde o início da pandemia já atendeu 168 pacientes pediátricos dos 40 municípios da região de Araçatuba, dos quais 149 ficaram internados na UTI Neonatal e Pediátrica dentre suspeitos e positivos para covid, e cujos quadros clínicos que exigem tratamento intensivo, foi considerado como não apropriado para a ampliação solicitada.
No parecer técnico, o médico Henrique Cesar Pereira, diz que “ em vistoria realizada no estabelecimento observei que o mesmo não dispõe de espaço físico apropriado e seguro além de recursos humanos para credenciamento de leitos pediátricos tipo II, mesmo que em caráter temporário”.
Em nenhum momento do parecer, a Vigilância Sanitária sugeriu que o hospital fizesse qualquer tipo de adequação. Simplesmente, indeferiu o pedido de credenciamento.
Desde o início da pandemia, a Santa Casa de Araçatuba recebeu dezenas de pacientes positivos e suspeitos de covid, em idades pediátricas encaminhadas pelas 40 cidades para as quais é referência em tratamento intensivo pediátrico.
Os pacientes relacionados ao coronavírus são internados em leitos implantados em área anexa a UTI Neonatal e Pediátrica, considerada pelo intensivista e neonatologista Anderson Azevedo Dutra como “adequada a esses atendimentos e permite observação intensiva e eventual piora clínica”. Dutra informa que os leitos têm registrado ocupação média de 80%.
A estrutura inclui equipe médica e enfermagem especializada em tratamento intensivo pediátrico e equipamentos para monitorização, hemodinâmica respiratória, e ventilação mecânica com os respiradores que foram doados ao hospital.
Dentre o instrumental, estão quatro respiradores doados pelo Ministério da Saúde. Os equipamentos foram solicitados ao deputado estadual Reinaldo Alguz e deputado federal Enrico Misasi, ambos do Partido Verde (PV).
O diretor técnico da Santa Casa de Araçatuba confessa estar surpreso pela conduta da Vigilância Sanitária. “ Fiquei bastante surpreso, pois neste momento de comoção mundial e com a escassez de leitos de UTI’s em que todos os hospitais do País e do mundo estão em fase de adaptação de leitos a fim de atender os pacientes que muitas vezes acabam morrendo devido à letalidade do vírus esperando em filas de leitos principalmente de UTI’s”, afirma Giulio Stanco Coscina Neto
OUTRO LADO
Em nota à Folha da Região, o Estado negou falta de apoio. Leia a íntegra:
Não procede a informação de negativa por parte da DRS (Departamento Regional de Saúde) de Araçatuba. Toda expansão de serviço requer parecer da Vigilância Sanitária para segurança dos pacientes e para atendimento às normas previstas no SUS. A equipe esteve na Santa Casa de Araçatuba e orientou sobre a necessidade de espaço físico apropriado, seguro e de Recursos Humanos para credenciamento de leitos pediátricos. A Vigilância está inclusive à disposição da Santa Casa para mais orientações.
A Secretaria de Estado da Saúde segue atuando com a premissa de salvar vidas no decorrer da pandemia. Nesse sentido, auxiliou a própria Santa Casa de Araçatuba na ativação de mais 10 leitos de UTI, que passou a contar com 35 do tipo, além de possuir 62 leitos de enfermaria.
Houve ainda a ativação do hospital de campanha do AME Andradina, em funcionamento desde março com 10 leitos de enfermaria e 8 leitos UTI COVID.
No mesmo mês, houve a ampliação no Hospital Estadual de Mirandópolis, com mais 10 leitos de UTI e 10 leitos de enfermaria. Hoje (07), a unidade opera com 44 leitos destinados a pacientes graves COVID-19, incluindo 18 leitos de UTI, com 94% de ocupação.
Com estas ampliações, a região conta atualmente com mais de 430 leitos exclusivos para pacientes com a doença, incluindo 115 leitos de UTI.
A medida é fruto do esforço do Estado para garantir assistência, diante do aumento de casos e internações. Vale esclarecer que a ativação de novos serviços não é prerrogativa exclusiva do Estado, cabendo também aos municípios - nesse sentido, é recomendada consulta à própria Prefeitura sobre as medidas realizadas no município.
O Governo do Estado de São Paulo pede à toda a população que colabore para evitar que mais casos, internações e mortes aconteçam. Os protocolos sanitários devem ser respeitados, com uso de máscaras, higienização das mãos, distanciamento social e as regras do o Plano São Paulo.