10 de julho de 2026
Cultura

Paulo Gustavo: mais um riso calado pela Covid-19

Por Redação |
| Tempo de leitura: 5 min
Foto: divulgação

Ator e humorista faleceu na última terça-feira (4), no Rio de Janeiro, em decorrência de complicações de seu quadro médico; Folha conta a trajetória do artista em homenagem ao grandioso trabalho desenvolvido por ele nos últimos 25 anos

Bryan Belati

Depois de nomes como Ismael Ivo, Agnaldo Timóteo, João Acaiabe e Genival Lacerda, o Brasil perde mais uma figura importante do entretenimento para a Covid-19: o ator e humorista Paulo Gustavo.

Ele tinha 42 anos, era casado com o médico Thales Bretas e tinha dois filhos, Romeu e Gael, de um ano e nove meses. Paulo estava internado no Rio de Janeiro desde o dia 13 de março.

O estado do artista era grave. Os médicos precisaram submetê-lo ao ECMO, uma espécie de pulmão artificial. Porém, seu quadro clínico piorou no início da semana, e o humorista teve fístulas que causaram o vazamento de ar do pulmão e desencadearam uma embolia gasosa — quando vasos sanguíneos são obstruídos por bolhas de ar.

A morte de Paulo Gustavo foi confirmada em nota oficial divulgada pelo Hospital Copa Star, onde ele estava internado. "Em todos os momentos de sua internação, tanto o paciente quanto os seus familiares e amigos próximos tiveram condutas irretocáveis, transmitindo confiança na equipe médica e nos demais profissionais que participaram de seu tratamento", diz a nota.

Dono de uma carreira repleta de recordes e sucessos de bilheteria, o ator deixa um legado de peso no mundo do entretenimento, principalmente do humor brasileiro.

Em homenagem aos feitos de Paulo Gustavo, a Folha conta a trajetória do artista que fez o Brasil rir diversas vezes com seus personagens e seu jeito único de dar vida aos diversos personagens criados por ele.

HISTÓRIA

Dona Hermínia, personagem criado por Paulo Gustavo para o monólogo "Minha Mãe É Uma Peça", foi adaptado para o cinema, se tornando a maior bilheteria do cinema brasileiro. Crédito: Divulgação

Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros nasceu na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, no dia 30 de outubro de 1978.

Nascido e criado em uma família de classe média, estudou no tradicional Colégio Salesiano durante o ensino fundamental, e desde sempre se interessou pelo teatro e pelas artes cênicas.

O primeiro trabalho no mundo do entretenimento que trouxe visibilidade ao artista por a participação na peça "Surto", em que apresentou a Dona Hermínia, personagem humorística criada por Paulo que foi inspirada em sua mãe. Naquele período, o ator não tinha ideia do sucesso que este personagem faria anos depois.

Em 2005, passou a integrar o elenco da peça "Infraturas". Foi a partir deste trabalho que o humorista passou a fazer pequenas participações na televisão, como na novela "Prova de Amor", da Record, e na série "A Diarista", da Globo, estrelada por Cláudia Rodrigues.

No ano seguinte, Dona Hermínia tomou os palcos da capital carioca e também em São Paulo. De acordo com informações divulgadas pelo jornalista Pedro Bial em seu programa na Globo, mais de 4 milhões de pessoas assistiram a performance de Paulo Gustavo no teatro.

O espetáculo ”Minha Mãe É Uma Peça”, que ganhou uma adaptação para o cinema em 2013 e uma continuação em 2016, se tratava de um texto de autoria do próprio ator, em que explicava suas observações domésticas e vivenciais, com a junção de aspectos mais cômicos da personalidade de uma típica dona de casa de meia idade, sempre à beira de um ataque de nervos. Sua atuação lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Shell de melhor ator.

Paulo Gustavo voltou a protagonizar um título novamente nos palcos em 2010, para apresentar o espetáculo ”Hiperativo”, dirigido por Fernando Caruso. Em 2011, passou a comandar uma atração em um canal fechado, e logo depois passou a gravar episódios do “Vai que Cola”, no Multishow. A obra também foi adaptada para as telonas, em 2015.

Entre 2014 e 2018, o humorista esteve à frente de outros dois programas de TV. No mesmo ano, gravou o DVD da peça ”Minha Mãe é uma Peça” na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador.

Assumidamente homossexual desde sua adolescência, casou-se em dezembro de 2015 com o dermatologista Thales Bretas. Em 2017, o casal anunciou que estava esperando gêmeos de barriga de aluguel. No entanto, os bebês morreram em decorrência de um aborto espontâneo.

Gustavo e o companheiro buscaram outra barriga de aluguel, e em 18 de agosto de 2019 anunciaram o nascimento dos filhos Romeu e Gael.

HOMENAGENS

Não só o público, como também a classe artística, se manifestou em decorrência do falecimento de Paulo Gustavo. O hospital Copa Star, onde o ator esteve internado, divulgava semanalmente um boletim médico a respeito do estado de saúde do artista.

O marido de Paulo Gustavo, médico dermatologista Thales Bretas, utilizava as redes sociais para informar sobre o quadro do companheiro. Amigos do humorista e do casal se solidarizaram com a situação do ator e pediram aos seguidores que mandassem boas energias para a recuperação dele.

A morte do criador de Dona Hermínia comoveu o Brasil, e as redes sociais foram tomadas por mensagens de amor e carinho dos fãs de Paulo Gustavo, artista que encantou o Brasil com seu humor leve, divertido e incisivo, quando se tratava de assuntos relacionados ao papel da mulher na sociedade e as relações familiares. O falecimento do ator foi divulgado na noite em que acontecia a final do reality show Big Brother Brasil. Em homenagem ao cantor, a Globo, emissora a qual Paulo Gustavo era contratado, prestou as condolências à família do humorista ao final do programa e exibiu o especial de fim de ano “220 Volts”, último trabalho de Gustavo na televisão.