08 de julho de 2026
Educação

Dia da Educação é comemorado hoje (28)

Por Redação |
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Governo de SP autorizou reabertura das escolas para atividades de reforço e acolhimento emocional desde setembro do ano passado. Neste ano, 500 mil chips de internet foram distribuídos. Crédito: Arquivo Agência Brasil

Data é uma oportunidade de trazer à tona questionamentos a respeito da educação no Brasil em período pandêmico e o desafio dos profissionais da área em se adaptar a esse novo cenário

Bryan Belati

Araçatuba
pautasfr@gmail.com

Ensino à distância, aulas on-line, Google Classroom, pastas de drive, compartilhamento na nuvem. Estes são apenas alguns dos novos termos adotados por alunos e professores de todo o país para falar das atividades educacionais em tempos de pandemia.

Hoje, dia 28 de abril, é o dia em que se celebra o Dia da Educação, data escolhida no ano de 2000, no Fórum Mundial de Educação, realizado na cidade de Dakar, em Senegal, na África. O evento estabeleceu o compromisso dos países de levar a educação básica e secundária a todas as crianças e jovens do mundo.

A data também incentiva e conscientiza a população sobre a importância da educação, seja escolar, social ou familiar, para a construção de valores essenciais na vida em sociedade e do convívio saudável com outros indivíduos.

É um dever do Estado garantir condições para a formação educacional de todos os cidadãos, com qualidade e gratuitamente. Porém, o Brasil ainda enfrenta graves problemas com a qualidade do ensino e educação.

Em um contexto pandêmico, o destaque fica para as novas maneiras de ensinar e aprender que se perpetuam por meio da tecnologia e da criatividade. Pois, estudantes de todos os níveis precisaram se adaptar ao fechamento de escolas como medida para reduzir a disseminação da Covid-19.

E aqueles que buscam capacitação profissional por meio de cursos e eventos também necessitam de alternativas para continuar evoluindo na carreira.

Por outro lado, a data comemorativa traz à tona outro questionamento: além dos profissionais terem que se reinventar e desenvolver formas remotas de ensino, e quanto aos professores recém-formados? Quais são os problemas que eles estão enfrentando neste sentido?

De acordo com a professora Letícia Baileiro Cézar, 22 anos, se formar em meio à pandemia foi um desafio e tanto. Ela terminou a graduação há menos de um ano, porém, não consegue desenvolver seu trabalho como gostaria, pois não pode fazer o acompanhamento dos alunos presencialmente.

A professora trabalha com crianças de sala de berçário dois, ou seja, aqueles que estão na faixa etária entre dois e três anos. Neste sentido, as atividades propostas pela professora envolvem um ambiente lúdico, de promoção cognitiva e motora, de extrema importância para o desenvolvimento da criança.

“É difícil por conta da idade, porque é necessário uma rotina, um trabalho diário. E como eu não estou com os meus alunos e mando as atividades remotas, para que os pais façam o acompanhamento, é complicado mensurar o progresso deles nesta etapa”, explica a pedagoga. 

Ela conta que algumas pessoas que se formaram com ela ainda não conseguiram exercer a profissão, por conta do fechamento das escolas e da paralisação na contratação de profissionais da educação.

Letícia relata que os pais de seus alunos sempre comentam com ela a diferença do filho de quando estava indo à escola para o atual momento, com aulas remotas. Segundo ela, o desenvolvimento da criança está acontecendo mais lentamente, somado à falta de interação com outras crianças e a falta de uma rotina.

Por isso, a professora ressalta a importância dos professores, principalmente neste momento. Pois, com ou sem pandemia, a educação continua acontecendo, a alfabetização não para, e a vida das pessoas precisa caminhar.

“Nós estamos formando os cidadãos do futuro. Então, se houver alguma falha agora, no desenvolvimento motor e cognitivo, isso pode atrapalhar o aprendizado mais para frente. A gente acha que não, mas todo o processo da educação infantil traz um resultado quando a criança cresce. A aprendizagem é um processo contínuo”, menciona Cézar.

IMPACTO

Um estudo realizado pelo CAEd/UFJF (Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora) indica que o impacto na aprendizagem causado pela pandemia da Covid-19 é maior entre alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental, principalmente na rede pública estadual.

A avaliação foi feita em estudantes do 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e a 3º série do Ensino Médio, no início do ano letivo 2021, da Seduc-SP (Secretaria da Educação do Governo de São Paulo).

Em relação aos resultados alcançados em 2019, as maiores diferenças na escala de proficiência foram verificadas no 5º ano do Ensino Fundamental, em Matemática - estudantes apresentaram 46 pontos a menos do que o resultado do ano anterior - queda de 19% na aprendizagem.

Com a disciplina de Língua Portuguesa, 29 pontos a menos – queda de 13%. Para o 9º ano do Ensino Fundamental e o 3º do Médio, porém, a defasagem foi menor, embora com perdas no aprendizado. Isso sugere, então, que o impacto da mudança para o ensino remoto foi maior entre os estudantes mais novos.

Em cada ano escolar, foram avaliados, aproximadamente, 7 mil estudantes, considerando uma amostra representativa e de diferentes perfis sociais e regionais do Estado, nos componentes curriculares de Língua Portuguesa e Matemática.

Aplicados em formato impresso e de forma presencial, os testes incluíam itens baseados nas escalas de proficiência do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica). A pesquisa comparou a proficiência desse grupo de estudantes, que iniciam neste ano o 5º e o 9º ano do Ensino Fundamental e o 3º do Médio, com o nível atingido pelo grupo que concluiu as mesmas etapas em 2019.

Assim, a rede estadual de São Paulo identifica quanto, em média, esses estudantes precisam avançar neste período letivo para alcançar o mesmo resultado de anos anteriores devido às perdas de aprendizagem causadas durante a pandemia.

“Nós estamos formando os cidadãos do futuro. Então, se houver alguma falha agora, no desenvolvimento motor e cognitivo, isso pode atrapalhar o aprendizado mais para frente. A gente acha que não, mas todo o processo da educação infantil traz um resultado quando a criança cresce. A aprendizagem é um processo contínuo”

ESTRATÉGIAS

O Governo de SP autorizou a reabertura das escolas para atividades de reforço e acolhimento emocional desde setembro do ano passado. A retomada de aulas para o Ensino Médio ocorreu em outubro e, para o Ensino Fundamental em novembro, pautado em medidas de contenção, seguindo as recomendações sanitárias do Centro de Contingência do Coronavírus.

Em janeiro deste ano, 140 mil estudantes da rede estadual participaram das aulas presenciais de reforço e recuperação e em fevereiro houve o início do ano letivo de 2021, com aulas presenciais para até 35% dos estudantes, diariamente.

Em todo o Estado, as 5,3 mil escolas estaduais receberam R$1,4 bilhão por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola de SP, entre 2020 e 2021. Essa verba foi destinada para manutenção e conservação das unidades para a volta segura das aulas presenciais.

Outras iniciativas fazem parte do plano de retomada do governo do Estado, sendo elas o PRA (Programa de Recuperação e Aprofundamento) e o projeto “Além da Escola”.

O primeiro, apoia a recuperação da aprendizagem dos estudantes do Ensino Fundamental e Médio. A ação contempla seis principais frentes: currículo, materiais, formação, avaliação, acompanhamento e tecnologia. As turmas terão um professor a mais no corpo doscente, para apoiar o processo de forma mais próxima e personalizada. Atualmente, são 2261 professores e mais de 32 mil aulas semanais. Em classes do 1º ao 5º, são 21 aulas semanais.

Já o segundo, amplia a carga horária de alunos do 6º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio das escolas regulares (incluindo EEI – Indígena, Quilombo, Área de Assentamento e alunos do noturno regular das PEIs), por meio do oferecimento de conteúdos do CMSP (Centro de Mídias da Educação de São Paulo) e de demais plataformas educacionais parceiras, além de orientação de estudos com um professor duas vezes por semana, via chat do CMSP.

O tempo extra de estudo varia conforme o período: 01h45 por dia caso os estudantes sejam do período diurno, e 01h15 para alunos matriculados no noturno. Para realizar o Programa, a Seduc disponibilizou 500 mil chips de internet.

PROFESSORA Letícia Balieiro Cézar, 22 anos