O Ministério da Saúde deixou vencer um contrato e suspendeu os exames de genotipagem no Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas que vivem com HIV, aids (a doença causada pelo vírus) e hepatites virais. O teste é essencial para definir o tratamento mais adequado para quem desenvolve resistência a algum medicamento. Em Araçatuba, as coletas já pararam, a última foi feita na última semana de novembro.
“A rotina para realizar os exames era uma vez por mês. O sangue das pessoas que necessitavam fazer o exame era colhido e a empresa contratada pelo Ministério da Saúde retirava esse material em nossa unidade e levava até o laboratório de referência para realizar os exames.
Não era muitos exames por mês, o volume maior é de Hepatites, mas uma média de cinco a seis exames por mês, porque depende do diagnostico, se no mês teve diagnostico de hepatites, então tinha exame para colher. Então a gente acredita que o tempo que o Ministério levar pra repor esses exames não teremos um cúmulo muito grande de pacientes, tanto de HIV quanto de Hepatites.” O relato do processo de coleta de exames no município é da Dirigente Administrativa do Ambulatório DST/AIDS e Hepatites de Araçatuba, Sandra Margareth Exaltação, em entrevista para a Folha da Região, após o assunto da suspensão temporária dos exames ter tomado o país.
ENTENDA O CASO
O contrato com a empresa que realizava exames de genotipagem no Sistema Único de Saúde (SUS) foi executado pelo Ministério da Saúde e com isso todos os exames considerados fundamentais para pessoas que vivem com o vírus e que dependem da combinação de medicamentos que é administrada aos pacientes.
A ordem de suspender o serviço partiu de uma nota informativa do Departamento de Doenças Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, divulgada em 2 de dezembro. Quem assina o documento é a diretora substituta do órgão, Angélica Espinosa Barbosa Miranda. Hoje cerca de 900 mil pessoas que vivem com HIV estão em tratamento no Brasil.
MINISTÉRIO DA SAÚDE DEIXOU VENCER O CONTRATO
A pasta justifica a interrupção nos exames devido ao término do contrato para prestação de serviços e que não “teria sido renovado a tempo”. Pelo SUS, os exames eram realizados desde 2015 pela empresa Centro de Genomas, o contrato venceu em novembro deste ano.
A Folha da Região apurou que um mês antes do término do contrato, um pregão eletrônico para a contratação do serviço foi feito sem a escolha de uma nova prestadora, sem interessados que concluíssem todo processo de envio da documentação exigida. O Ministério da Saúde prevê realizar um novo pregão, cuja proposta for mais vantajosa. Enquanto isso as coletas estão temporariamente suspensas, com expectativa de retomada dos serviços a partir de janeiro do ano que vem.
EXAMES DE GENOTIPAGEM
De acordo com a dirigente administrativa do ambulatório DST/AIDS e Hepatites de Araçatuba, Sandra Margareth Exaltação, com relação aos exames de genotipagem do HIV, utilizado em casos em que o paciente tem uma resistência ao uso dos medicamentos antirretrovirais, ou seja, que atuam no mecanismo de multiplicação do vírus HIV, evitando que ele infecte as células de defesa do organismo, os pacientes não serão prejudicados.
“Essa situação não está sobre a nossa governabilidade, os municípios também estão no aguardo das novas orientações, mas com relação aos exames, possibilita detectar essa resistência e reorientar o tratamento e a seleção de uma nova terapia de resgate para esse paciente, portanto é um exame pedido em casos específicos, então não vai prejudicar, por exemplo, o paciente novo, que chegar e iniciar o tratamento”, explica.
Já no caso da genotipagem – que é uma identificação das alterações genéticas que causam determinada doença – da Hepatite C, a Dirigente, pontua que é um pouco mais complicado, porque essa pesquisa genética é feita justamente para definir e identificar o tipo de medicamento utilizado no tratamento do paciente.
“Diante da falta de exames o Ministério da Saúde, através da nota informativa, vai mudar a estratégia de tratamento para que os pacientes não tenham prejuízos, segundo a pasta, vão usar os medicamentos que não dependem desse exame de genotipagem pra poder iniciar o tratamento deles. Acredito que não vá ter interferência no tratamento do paciente com hepatite C”, completa.
O Estado de São Paulo ainda está definindo como vai realizar a mudança dessa estratégia, o Ministério da Saúde ao divulgar a nota informativa gerou uma onda de movimento onde cabe ao Governo definir e repassar as diretrizes para os municípios e só então os pacientes terão acesso aos medicamentos a partir das novas prescrições.
Com informações Folhapress