A garota de programa Laís Lorena Crepaldi, 21 anos, e o namorado dela, Jonathan de Andrade Nascimento, 22 anos, foram condenados ontem (16) pela Justiça de Araçatuba a quase 30 anos de prisão cada um pelo latrocínio (roubo com morte) do advogado Ronaldo César Capelari, no dia 13 janeiro deste ano, na edícula da acusada, no bairro Água Branca, zona leste de Araçatuba.
Laís foi condenada a pena total de 27 anos e 10 meses de prisão, sendo 23 anos, 8 meses e 20 dias pelo latrocínio e ocultação de cadáver e quatro anos e dois meses por denunciação caluniosa, porque ela acusou três inocentes por participação no crime, para tentar livrar o namorado. Os três foram presos e posteriormente a polícia descobriu a farsa, e ela acabou confessando a mentira.
Jonathan de Andrade foi condenado a 29 anos e 8 meses de prisão por latrocínio e ocultação de cadáver. Conforme sentença do juiz Roberto Soares Leite, titular da 1ª Vara Criminal, ambos devem iniciar o cumprimento da pena em regime fechado. Eles estão presos em penitenciárias de segurança máxima.
O promotor do caso, Sérgio Ricardo Martos Evangelista, disse que achou a pena justa, mas ainda não foi informado oficialmente sobre a condenação. Ele explicou que assim que o processo tramitar e ele for comunicado de forma oficial, vai analisar o teor da sentença para ver se caberá ou não recurso à decisão do magistrado.
O Ministério Público havia denunciado o casal pelo assassinato e esquartejamento do corpo do advogado Ronaldo César Capelari, 53 anos.
Ele foi assassinado na noite de 13 de janeiro em uma edícula na rua Waldir Cunha, no bairro Água Branca, onde Laís Lorena morava e realizava seu trabalho como garota de programa.
Na denúncia, consta que o advogado já havia saído com ela três vezes, sendo os dois primeiros encontros em um motel, entre Araçatuba e Birigui, e o terceiro encontro havia sido na edícula da acusada.
Na noite do crime, o advogado saiu de casa dizendo que iria para a academia, mas não chegou a entrar. Ele também não voltou para casa no horário de costume, o que chamou a atenção de familiares. Na mesma noite, começou um movimento nas redes sociais a procura de informações pelo paradeiro do advogado.
Ele tinha na realidade, ido até a casa de Laís Lorena para mais um encontro. A moça, por sua vez, já havia premeditado um assalto em conjunto com seu namorado, e esperava a vítima em uma emboscada.
SOFRIMENTO
Pelos laudos que constam do inquérito policial, Capelari foi atacado com golpes de martelo nas costas e cabeça. Pelo fato de ficar gemendo e se lamuriando pelas dores, teve a boca amordaçada por fita adesiva e depois a cabeça coberta com pano. Ele também teve os pés e as mãos amarradas para trás. Por fim foi esfaqueado nas costas e no pescoço, e ficou agonizando até por volta das 6h do dia seguinte, horário que consta o falecimento, conforme laudo necroscópico.
FUGA
Na noite do crime Laís Lorena deixou Jonathan na edícula, para que ele sumisse com o corpo. Ela fugiu do local na companhia de um cliente, morador no bairro Concórdia. No entanto, conforme a denúncia, desde o período da tarde ela estava trocando mensagens com este cliente o convidando para sair à noite. Ele só visualizou as mensagens no começo da noite. Ao passar na casa dela, não sabia o que havia acontecido e saiu com a moça do local, jamais imaginando que acabara de ocorrer um crime.
SEM SUCESSO
Durante a noite Jonathan não teve força suficiente para carregar o corpo de advogado. Já na madrugada ele pegou a caminhonete, que estava na garagem da edícula de Lorena, e abandonou em uma estrada de terra logo após a divisa entre Araçatuba e Birigui, na zona rural.
Sem condições de ter como dar fim no corpo o casal decidiu esquartejar. Jonathan comprou luvas cirúrgicas em uma farmácia no bairro Pinheiros e sacos de lixo em um mercado no Ivo Tozzi. Pegou uma serra de arco, facas e uma lima na casa de seus pais e partiu para a edícula, onde com a ajuda de Lorena, esquartejou o corpo do advogado, encontrado posteriormente por Policiais Militares.
PMs haviam recebido a denúncia de uma pessoa que viu nas redes sociais um vídeo com o encontro da caminhonete, e reconheceram o veículo, informando que o mesmo havia pernoitado na edícula de Laís Lorena, no Água Branca. Com base nesta denúncia a PM chegou até o local.