O presidente do Sinduscon OESP (Sindicato das Indústrias da Construção Civil da Região Oeste do Estado de São Paulo), Aurélio Luiz de Oliveira Júnior, defende, em entrevista à Folha da Região, que o mercado imobiliário sempre foi e sempre será um bom negócio.
E por isso, diz ele, sempre haverá demanda e oferta suficiente para que o setor atravesse bem qualquer crise, mesmo uma pandemia mundial, como a provocada pela Covid-19 (coronavírus).
Ele também dá dicas para que os investidores, tanto compradores quanto construtores, terem sempre os pés no presente e olhos no futuro antes de investir. "Hoje temos que pensar no avanço tecnológico antes de fechar uma planta", afirma ele.
Ao analisar o impacto da construção civil na sociedade, Oliveira Júnior explica que toda uma cidade ganha quanto há um investimento.
"A construção de um prédio, por exemplo, dá emprego na obra, na empresa que fornece os insumos, na fábrica que fornece o produto ao comerciante. E estas pessoas, empregadas, comem mais fora, compram novos móveis para suas casas, trocam de carro", exemplifica.
Leia a entrevista:
Como o senhor vê o momento atual da construção civil?
Sempre haverá bons negócios e muito trabalho na construção civil. A cada momento temos um tipo diferente de demanda. Este é um setor que se relaciona diretamente com o cotidiano e também com planos de médio e longo prazo. Então, sempre estará movimentado.
O mercado imobiliário sempre foi um bom negócio, em todas as épocas. Desta forma, sempre temos investidores de olho na expansão urbana, sempre teremos novas famílias procurando seu primeiro teto ou outro imóvel para alugar, e empreendedores querendo um espaço melhor para concretizar os seus sonhos.
Mas a instabilidade econômica pode aquecer ou esfriar o mercado da construção civil, não?
Com certeza! A sazonalidade é normal, mas nunca temos um período abaixo de zero em nossa área. Como eu dizia, ter um imóvel residencial ou comercial para uso próprio ou alugar sempre é um bom negócio.
Tem muitos analistas que falam sobre como o patrimônio pode ficar imobilizado ao se investir em uma construção, mas sempre haverá mais valorização do que depreciação. Quem investe na área da construção civil está buscando resultados em um prazo que não é o imediato. Então, mesmo quando a economia não está bombando, sempre é um bom momento para investir em seu capital em algo que lhe trará alguma segurança financeira.
Como a pandemia afetou os negócios no setor?
No primeiro momento, o mundo todo ficou sem saber como encarar a situação, principalmente por causa dos protocolos de segurança pessoal. Mas, muitos empreendimentos estavam engatilhados ou em andamento, e não houve paralisação.
Passado o primeiro susto, com as regulamentações governamentais e adoção de medidas sanitárias, as obras continuaram praticamente na normalidade. E mesmo que muitos investidores tenham ficado receosos e adiado um ou outro projeto, continuamos vendo novas oportunidades surgindo.
Em Araçatuba e região, tivemos até mesmo lançamentos de novos residenciais no período. E houve quem comprou um terreno já começou a procurar as construtoras. Repetindo, como é sempre um bom negócio, o mercado imobiliário está sempre resistindo.
Instituições como os bancos públicos estão investindo em novos créditos imobiliários. O senhor acredita em um aquecimento do volume de negócios para os próximos meses?
Sim, e estamos preparados para isso. As famílias continuam sonhando com a casa própria e quanto mais acesso tiverem a crédito, melhor é para todos. O governo acerta sempre quando investe neste tipo de intervenção, pois temos que pensar nos empregos que são gerados direta e indiretamente.
Como o aquecimento da construção civil impacta na vida de uma comunidade?
A construção de um prédio, por exemplo, dá emprego na obra, na empresa que fornece os insumos, na fábrica que fornece o produto ao comerciante. E estas pessoas, empregadas, comem mais fora, compram novos móveis para suas casas, trocam de carro.
Então, uma pessoa que vende sorvete no bairro e não está pensando em investir em imóveis acaba sendo positivamente impactado porque um residencial do outro lado da cidade está sendo construído. O dinheiro circula em toda a cadeia de produção. Todos ganham quando a economia vai bem e a construção civil, como o agronegócio, tem sido um dos pilares do nosso país.
Para quem está pensando em investir em um imóvel, sendo comprando ou construindo, qual a dica que o senhor pode compartilhar?
Quem vai investir em um imóvel tem que ter os pés no presente a visão voltada para o futuro. Além de ter que colocar tudo na ponta do lápis e revisar estas constas praticamente todos os dias, também deve projetar o futuro da parte física.
Hoje temos que pensar no avanço tecnológico antes de fechar uma planta. As famílias estão cada vez menores e isso vai impactar no modelo a ser adotado. Também tem que pensar em energia limpa e renovável, em reaproveitamento de água e criação de um ambiente para o home office, que é uma realidade para sempre.
Ter esta adaptação ao mundo digital influencia hoje nas tomadas de decisão na hora de se construir ou comprar um imóvel?
Com toda certeza. Vejo muita gente saindo de prédios antigos porque eles não têm ao menos espaços para passar cabos de fibra ótica. Foram erguidos em um mundo que não existe mais. E investir nesta área demanda, às vezes, a economia de uma vida toda. Quem constrói tem que oferecer ao futuro comprador algo adaptado para os dias de hoje e preparados para os dias vindouros.
Um prédio residencial ou comercial hoje, por exemplo, já tem que ser projetado para geração da própria enérgica elétrica por meio de placas fotovoltaicas. Também há uma demanda por espaços multiuso para trabalho e garantia de que a internet estará disponível, e bem, em cada canto. A acessibilidade também é uma demanda, pois a projeção é a de que a média da população vai envelhecer nas próximas décadas. Repito que é preciso ter os pés no presente, mas os olhos sempre no futuro.