09 de julho de 2026
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Região tem 3.425 candidatos para prefeito, vice e vereador

Por Redação |
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Os 42 municípios da região de Araçatuba têm 1,18% a mais de candidatos nesta eleição em relação a de 2016 quando foram eleitos os atuais prefeitos e vereadores. Levantamento feito pela Folha da Região mostra que hoje estão concorrendo 3.425 pessoas a estes cargos. Na eleição anterior foram 3.385. São 40 aspirantes a mais.

Em Araçatuba, o aumento foi muito significativo. Em 2016, foram três candidatos a prefeito, contra oito nesta atual eleição. No total, na votação passada a cidade teve 211 concorrentes. Agora, são 324, juntando os cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador.

A cidade de Andradina foi outro município que registrou aumento, saltando de 273 em 2016 para 362. Castilho também teve um crescimento significativo, de 113 para 177.

Em outras localidades, no entanto, houve uma queda acentuada de número de aspirantes ao Executivo e ao Legislativo. Em Birigui, a queda foi de 241 para 217. Em Penápolis, reduziu de 219 para 155.

O prazo para registro de candidaturas terminou no sábado (26). Publicado o edital contendo os pedidos de registro, candidatos, partidos, coligações e o Ministério Público têm cinco dias para impugnar os pedidos. No mesmo prazo, qualquer cidadão pode apresentar notícia de inelegibilidade.

Segundo lideres partidários ouvidos pela reportagem, o aumento de número de candidatos, principalmente para o cargo de prefeitos, tem relação com o chamado ‘efeito Bolsonaro’, ou seja, a história de uma pessoa que era pouco conhecida e conseguiu se projetar por meio de redes sociais.

PERFIL

No país, os 523 mil pedidos de registro de candidatura computados até o momento para as eleições municipais de novembro já representam um recorde no número total de candidatos, de postulantes do sexo feminino e, pela primeira vez na história, uma maioria autodeclarada negra (preta ou parda) em relação aos que se identificam como brancos.

O crescimentos de negros e mulheres na disputa às prefeituras e Câmaras Municipais tem como pano de fundo o estabelecimento das cotas de gênero a partir dos anos 90 e as mais recentes cotas de distribuição da verba de campanha e da propaganda eleitoral, decisões essas tomadas pelos tribunais superiores em 2018, no caso das mulheres, e em 2020, no caso dos negros.

A cota eleitoral racial ainda depende de confirmação pelo plenário do STF (Supremo Tribunal Federal), o que deve ocorrer nesta semana.

Em relação à maior presença de negros, especialistas falam também no impacto do aumento de pessoas que se reconhecem como pretas e pardas após ações de combate ao racismo.

Apesar de o prazo de registro de candidatos ter se encerrado neste sábado (26), o Tribunal Superior eleitoral informou que um residual de registros feitos de forma presencial ainda levará alguns dias para ser absorvido pelo sistema.

Além disso, candidatos que não tiveram seu nome inscrito pelos partidos têm até quinta-feira (1º) para fazê-lo, mas isso normalmente diz respeito a um percentual ínfimo de concorrentes.

Os 523 mil pedidos computados até agora já representam 45 mil a mais do total de 2016 e cerca de 80% do que o tribunal espera receber este ano, com base nas convenções partidárias -cerca de 645 mil postulantes.

Até o final da manhã deste domingo (27), o percentual de candidatas mulheres era de 34%, 176 mil concorrentes. Nas últimas três eleições, esse índice não passou de 32%. Pelas regras atuais, os partidos devem reservar ao menos 30% das vagas de candidatos e da verba pública de campanha para elas.

Em 2018, a Folha de S.Paulo revelou em diversas reportagens que partidos, entre eles o PSL, lançaram candidatas laranjas com o intuito de simular o cumprimento da exigência, mas acabaram desviando os recursos para candidatos homens.

No caso dos negros, o TSE decidiu instituir a partir de 2022 a divisão equânime das verbas de campanha e da propaganda eleitoral entre candidatos negros e brancos.

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, porém, determinou a aplicação imediata da medida. Sua decisão, que é liminar, está sendo analisada pelo plenário da corte, com tendência de confirmação.

Até a manhã deste domingo, os autodeclarados pretos e pardos somavam 51% dos candidatos (263 mil) contra 48% dos brancos (248 mil). Entre os negros, 208 mil se declaravam pardos e 55 mil, pretos.

O TSE passou a perguntar a cor dos candidatos a partir de 2014. Nas três eleições ocorridas até agora, os brancos sempre foram superiores aos negros, ocupando mais de 50% das vagas de candidatos, apesar de pretos e pardos serem maioria na população brasileira (56%).

Embora o TSE não tenha registrado cor ou raça dos candidatos nos pleitos anteriores, é muitíssimo improvável ter havido eleição anterior com maioria de candidatos negros.

Assim como no recenseamento da população feita pelo IBGE, os candidatos devem declarar a cor ou raça com base em cinco identificações: preta, parda (que formam a população negra do país), branca, amarela ou indígena.

A Folha mostrou nesta sexta-feira (24) que ao menos 21 mil candidatos de todo o país que disputarão as eleições deste ano mudaram a declaração de cor e raça que deram em 2016, conforme registros disponibilizados até a quinta-feira (23) pela Justiça Eleitoral.

A maior parte das mudanças -36% do total- foi da cor branca para parda. O movimento contrário vem na sequência, com 30% das alterações de pardo para branco.