11 de julho de 2026
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‘As pessoas não são ricas por causa de suas mentalidades’, afirma Ben Zruel

Por Redação |
| Tempo de leitura: 7 min

A Folha da Região entrevistou, nesta semana, o empresário, escritor e consultor financeiro Ben Zruel, que é Best-seller com o livro “Vou te ensinar a ser rico”. Ele, que veio de Israel para o Brasil há quase 20 anos sem saber falar português e sem conhecer ninguém, faliu duas vezes antes de aprender o jogo financeiro brasileiro. E agora, dá cursos e palestras ensinando como as pessoas podem desenvolver uma estratégia simples para garantir, a longo prazo, uma independência financeira.

Com uma didática simples, elogiada por grandes nomes empresários e comprovada por dezenas de alunos, o curso ‘Eu Vou Te Ensinar a Ser Rico de Ben Zruel’ virou também um sucesso no Yutube e onde ensina os brasileiros como ser rico e livre.

O senhor é autor de um grande livro sobre educação financeira, “Eu vou te ensinar a ser rico”. Como o senhor definiria uma pessoa rica?

Uma pessoa rica, na verdade, é uma pessoa livre. Temos duas coisas que definem, e uma delas é que a pessoa tenha uma renda passiva que seja maior que o seu padrão de vida. As pessoas acham ser rico é ter muito dinheiro, como um grande executivo ou um grande empresário. Não tem nada a ver com isso. Até mesmo porque qual é a definição muito dinheiro.

Então, na verdade é rico quem tem fonte de renda passiva. É ter Royalties, direitos autorais, juros e dividendos, que sejam maiores do que o valor real que ele precisa para viver. No momento que ele tem isso, ele é uma pessoa livre, porque ele nunca vai precisar trabalhar por dinheiro. Então, esta é a definição de ser rico.

Como este tema entrou em sua vida e por qual motivo resolveu escrever a falar sobre dinheiro e riqueza?

Na verdade, eu cheguei no Brasil há 20 anos e nos primeiros anos tive dificuldades e fui à falência duas vezes. E nesta época eu morava em São Paulo eu culpava todo mundo pelas minhas falências. Eu dizia que o custo de vida era muito alto, que os impostos eram muito altos, que eu não ganhava suficiente. Mas, na verdade, eu tinha uma péssima mentalidade financeira.

E da maneira mais dolorida eu aprendi as regras do dinheiro aqui no Brasil. E infelizmente 95% das pessoas não sabem estas regras. E o que acontece com isso é que grande parte das pessoas se tornam escravas do dinheiro, pois trabalham a vida todas apenas para se sustentarem.

Então, eu aprendi a regra do dinheiro e em oito anos eu construí minha liberdade financeira. Então, comecei a ajudar muitas pessoas que começaram a me pedir ajuda. Nos últimos anos dei milhares de palestras e há três anos fui convidado para escrever um livro pelo consagrado Roberto Shinyashiki, da editora Gente. E este livro se tornou um best-seller, que está na sua décima-quinta edição.

O senhor tem proferido muitas palestras e ganho um grande reconhecimento, se tornando autoridade no assunto. E isso o coloca diante de um público real muito maior. O que o senhor tem percebido sobre os brasileiros em relação à geração de sua riqueza pessoal?

Na verdade, o problema principal é a de que os brasileiros não têm uma cultura financeira. Não aprender a ter uma educação financeira. Não aprende isso na escola e obviamente não aprendem isso em casa porque os pais também não sabem. Temos uma população muito grande que é praticamente ignorante financeiramente.

Talvez em um país de primeiro mundo isso seja tolerável. Um país que tenha taxas de juros normais talvez dê para viver assim. Mas em um país como Brasil, onde as pessoas têm péssima educação financeira e usam produtos bancários como juros de cheque especial, cartão de crédito e empréstimos, você vai literalmente se ferrar.

Então, esta é uma combinação que não vai dar certo. De um lado não se tem educação financeira e, do outro, um país dos mais complicados do mundo financeiramente. É uma combinação perfeita para termos 60% da população endividada, sem fundo de emergência, uma poupança. Esta é uma realidade impossível.

O senhor defende que deveria ser ensinado nas escolas?

Lógico. Isso, sem dúvida nenhuma. O problema é quem vai ensinar isso? São pessoas que estão endividadas no cheque especial? Mas, obviamente que seria melhor do que nada.

Esta questão tem que ser na escola, mas tem que ser também generalizada, para ensinar aos pais. Corrigir conceitos completamente equivocados que as pessoas têm sobre dinheiro.

Como um cidadão assalariado consegue se tornar uma pessoa rica, ou pelo menos vulnerável financeiramente?

Para se tornar rico, na verdade, não é muito complicado. Na verdade é simples, o que não quer dizer que seja fácil. Aliás, a maioria das atitudes da vida é simples, mesmo que sejam difíceis. E é preciso aprender a diferença entre as duas coisas. Por exemplo, parar de fumar é simples, agora não quer dizer que seja fácil. A mesma coisa é com as finanças. Para se tornar rico é simples, o que não quer dizer que será fácil. A pessoa precisa aprender quatro pilares da independência financeira.

O primeiro pilar que a pessoa precisa aprender é sobre mentalidade. Isso é fundamental, pois ela vai definir toda a tomada de decisão de sua vida. Com uma mentalidade errada, ele vai achar que o dinheiro que ganha é para trocar de carro, comprar uma casa, fazer uma viagem. E quando não tem dinheiro para estas coisas, faz um empréstimo. Então, a primeira coisa que ela precisa mudar é sua mentalidade.

A segunda coisa é viver no padrão de vida correto. Este é o segundo pilar. Se ele vive no padrão de vida errado, ele nunca vai enriquecer. Isso porque tudo o que ele ganhar vai para pagar as contas. Assim, nas melhor das hipóteses não sobra dinheiro e na pior as hipóteses ele ganha uma dívida.

O terceiro pilar é aprender a sair das dívidas que ele já tenha. Planejar, renegociar e pagar. O quarto pilar é aprender como investir. E as pessoas normalmente acham que o problema delas é que não sabem como investir. Mas este não é o problema delas. O problema é muito antes disso, que está em gastar todo seu dinheiro para ter um padrão de vida que não condiz no momento.

Mas se a gente for falar de uma fórmula da riqueza, é simples. Primeiro, a pessoa tem que gastar menos do que ela ganha. E não importa quanto ela ganha, de R$ 1 mil ou R$ 10 mil. Ela tem que gastar menos do que ela ganha, sempre. Se não aprender isso, não vai avançar na vida.

A segunda é pegar a diferença positiva entre o que você ganha e o que sobra é investir isso. E investir em que? Em coisas que vão lhe render a renda passiva que falamos antes, como juros bancários, dividendos e aluguel.

Então, quanto mais você investe, mais rende juros, que aumenta sua renda e sua capacidade de investir. E este ciclo que você cria até o dia que você vai ter renda passiva maior que o seu padrão de vida. No dia em que você conquistar isso, você conquistou a sua riqueza.

Quais são os maiores inimigos das pessoas que impedem elas alcançarem uma vida mais próspera?

As duas principais são a pessoa ter péssima mentalidade financeira, ou seja, mentalidade de classe média, onde tudo o que ele ganha, ele gasta. E a consequência disso é que nunca sobra dinheiro. Vive em um padrão de vida errado.

E se pessoa vive no padrão de vida errado e gasta tudo o que ganha não tem conversa depois disso. E ponto final. E muitas pessoas acham que vão melhorar quando forem promovidas no serviço. E isso não vai acontecer.

Quanto mais ganhar, mais vai gastar. A única coisa que mudou é que vai viver num padrão de vida mais alto, mas mais escravo em ter que ganhar dinheiro todos os meses.

Em poucos meses os trabalhadores começam a receber o 13º salário. Qual a melhor forma de lidar com este rendimento extra?

Na verdade, é assim: o que a pessoa precisa fazer é arrumar a casa. Ela precisa começar a corrigir as coisas, como reajustar o padrão de vida. A maioria das pessoas conta com esta renda extra para pagar erros financeiros do passado ou para comprar outras coisas.

Este dinheiro pode ser usado para alavancar a vida deles, mas tem que viver para não precisar deste dinheiro. Muitos crêem que ser rico é para poucos, para privilegiados. Mas todos podem ser livres, independentemente de onde nasceram. O que vai mudar é a velocidade, mas todos podem.