A fumaça de várias queimadas regionais e vindas de áreas como o Pantanal, além da baixa umidade, fez com que Araçatuba tivesse, nesta segunda-feira (14), um dos piores dias de qualidade do ar dos últimos anos. A cidade amanheceu com o horizonte e os prédios cobertos de uma nuvem branca de poluição. A umidade do ar chegou a 16% no meio da tarde desta segunda-feira (14). O ideal, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), é que ela varie entre 50% e 80%.
Não há previsão de chuvas para os próximos cinco dia, o que ajudaria a aliviar a situação. Segundo a Estação Agrometereológica da Unesp de Ilha Solteira, há 78 dias não há registro de uma chuva considerável na região, acima de 10 mm. A última chuva foi no dia 27 de junho, mas ela chegou apenas 20,3 mm.
A fumaça registrada em Araçatuba faz parte de um fenômeno que está atingindo todo o Estado. Ela é fruto das queimadas que devastam a Amazônia e o Pantanal e que começaram a chegar nos últimos dias às regiões Sul e Sudeste do país, segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Ao contrário dos Estados mais afetados diretamente pelas queimadas, onde a fumaça é baixa e encobre as cidades, causando problemas respiratórios, a coluna que chega no Sul e no Sudeste está a mil e dois mil metros de altitude, o que não chega a causar desconforto, explica o chefe do programa Queimadas do Inpe, Alberto Setzer, nem afeta a qualidade do ar.
“Vai ter efeito no pôr-do-sol, as pessoas vão ver um sol mais alaranjado, até vermelho, a depender da quantidade”, diz.
A quantidade de queimadas no país, no entanto, aumenta o volume de fumaça no ar e faz com que os ventos levem mais tempo para dissipá-la e a espalhem mais para o sul.
Em 2019, o dia virou noite em 19 de agosto em São Paulo, em parte pela chegada da fumaça das queimadas. Setzer explica que o fenômeno foi basicamente causado por nuvens carregadas muito baixas que esconderam a luz do Sol, mas a fumaça das queimadas colaborou com a escuridão.
Os dados do Inpe coletados até esta quinta-feira, apontam um aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano passado. Um crescimento pequeno, se não fosse o fato de 2019 ter dito o maior número de focos de queimadas detectados pelo Inpe desde 2012, com 108,9 mil pontos até 10 de setembro. Este ano, no mesmo, são 116,9 mil.
O Inpe mostra ainda que apenas na Amazônia Legal --que vai além do Bioma Amazônia-- , onde se concentram as forças da missão de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para combater as queimadas, o aumento foi de 9% em relação a 2019. Já o Pantanal, que enfrente a pior queimada desde 2007, os focos de incêndio cresceram 182% em relação ao ano passado.
“Estamos com números muito parecidos com 2019 na Amazônia, mas temos que lembrar que ano passado não foi nenhuma maravilha. E este ano, outros biomas, como o Pantanal, estão em situação muito difícil”, disse Setzer.
Com Agência Reuters
Foto: Alex Tristante