11 de julho de 2026
Slide

Golpes financeiros contra idosos têm aumento de 60%; delegado faz alertas

Por Redação |
| Tempo de leitura: 6 min

Um levantamento da Febraban - Federação Brasileira de Bancos - revela que no desde o início da quarentena houve um aumento de 60% em tentativas de golpes financeiros contra idosos . Na região de Araçatuba os golpes têm sido frequentes e a Polícia Civil tem trabalhado para combater este tipo de crime, sendo que no mês passado duas pessoas foram presas e flagrante.

Para combater as fraudes financeiras, a Febraban, com o apoio da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e do Banco Central está lançando uma campanha para informar e conscientizar sobre as tentativas de golpes financeiros. A iniciativa contará com medidas para proteção e enfrentamento à violação de direitos das pessoas idosas.

 Segundo a Febraban, os bancos investem R$ 2 bilhões por ano em segurança da informação para garantir tranquilidade e segurança a seus clientes e colaboradores.“Estamos intensificando nossas ações, pois quadrilhas se aproveitaram do aumento das transações digitais causado pelo isolamento social e da vulnerabilidade dos consumidores, em especial dos idosos, para aplicar golpes por meio da chamada engenharia social, manipulação psicológica do usuário para que ele lhe forneça informações confidenciais”, explica o presidente da entidade Isaac Sidney.

Na região, um dos golpes que mais tem sido praticado contra idosos é do motoboy. Um dos exemplos foi o caso de uma aposentada que perdeu R$ 8 mil em Araçatuba, há um mês. O estelionatário telefonou perguntando se ela autorizaria uma compra, porque estavam com seu cartão. Acreditando na conversa, ela deu sequência ao diálogo, que acabou resultando no prejuízo.

A vítima disse que recebeu uma ligação de uma pessoa que dizia representar uma conhecida loja de departamentos, com unidades nos dois shoppings e também no centro de Araçatuba, e perguntou se confirmava a compra de um televisor. A vítima informou que não confirmava e o interlocutor recomendou que ela deveria ligar para o banco e bloquear o cartão. A mulher informou que não sabia fazer esse procedimento, momento em que o mesmo interlocutor disse que lhe auxiliaria.

 A aposentada recebeu um novo telefonema e o interlocutor pediu seus dados alegando que iria fazer o bloqueio. Foram fornecidos número CPF e a senha do cartão da Caixa Econômica Federal. O homem ainda disse que ele mesmo faria um boletim de ocorrência. O mesmo interlocutor informou à vítima que iria comparecer em sua casa um representante para retirar o cartão, a quem deveria ser entregue. Em seguida, uma pessoa que se identificou como "Vitor Queiroz" solicitou o cartão bancário de débito da vítima, o qual foi entregue em mãos.

Após a entrega do cartão ao desconhecido é que a aposentada desconfiou que sua conduta não era correta entendendo que havia sido vítima de um golpe. Ela fez contato telefônico com a sua agência e soube que foi sacado aproximadamente R$ 8 mil de sua conta corrente.

Após essa constatação, foi solicitado o bloqueio do cartão junto ao 0800 do banco, porém ela não conseguiu de imediato por não ser a titular da conta, que é conjunta. Em outro caso, um advogado de 67 anos, morador no bairro Icaray, zona sul de Araçatuba, perdeu R$ 1,5 mil após entregar o cartão a um homem que acreditava ser funcionário de uma empresa responsável pelos cartões.

O advogado disse que recebeu a ligação do colaborador da empresa "TecBan", de nome Gustavo Ferreira, alertando que houve várias tentativas de compras com o seu cartão de crédito/débito do Banco do Brasil, em uma loja de departamentos. Porém, de imediato o advogado informou que não foi o responsável pelas tentativas de compras.

O suposto funcionário informou ao advogado que iria bloquear o cartão, e passou um número de protocolo, inclusive solicitou que a vítima ligasse para o "banco", o que foi feito. Ele foi informado que um funcionário da empresa "TecBan" iria até à sua casa para buscar o cartão. A vítima entregou um envelope com o cartão ao "funcionário", que estava com uma moto Honda, de cor vermelha, placas DWV-5648. A identificação do homem é a mesma utilizada no caso da aposentada que perdeu R$ 8 mil.

Depois de um tempo ele recebeu uma mensagem do Banco do Brasil informando que houve várias tentativas de compras, porém não efetivadas. No entanto, foi realizada uma compra no cartão de débito no valor aproximado de R$ 1,5 mil.

O delegado seccional de Polícia em Araçatuba, Marcelo Curi, disse que a Polícia Civil vem trabalhando intensamente inclusive nas investigações deste tipo de golpe. Ele lembra que somente na região foram duas prisões recentes, mas há várias quadrilhas praticando este tipo de crime. Integrantes de uma organização criminosa que atua nesta modalidade foram presos recentemente na região de Bauru, apesar de serem de Araçatuba e Birigui.

 No dia 17 de agosto policiais civis prenderam um auxiliar geral de 21 anos, morador no Jardim América, em Araçatuba, acusado de integrar uma das quadrilhas. Eles chegaram até o rapaz após o rastreio de uma conta na qual uma das vítimas, uma assessora parlamentar de 65 anos, esposa de um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, fez um depósito pensando que estava atendendo a um pedido da filha.

 O rapaz preso em Araçatuba alegou aos policiais que havia sido recrutado por um montador de 29 anos, de Birigui, para emprestar sua conta bancária para que o dinheiro do golpe fosse depositado. Em troca, o auxiliar geral ficaria com 10% do valor. A vítima havia efetuado um depósito de R$ 3,5 mil, dos quais o acusado ficou com R$ 350. Na semana passada um motoboy de 19 anos, de Mairiporã (SP) foi preso em flagrante quando aplicava o golpe do cartão clonado no parente de um policial civil em Andradina.

O golpista, que estava hospedado em um hotel, foi flagrado quando pegava o cartão de uma vítima. A ação para pegar o criminoso foi armada porque um parente de um policial percebeu que estava sendo vítima de um golpista, e o avisou sobre o caso. Geralmente, nestes golpes, os criminosos entram em contato com as vítimas e inventam histórias que induzem elas a acreditarem que o cartão bancário foi clonado.

Posteriormente, após pedir dados pessoais e inclusive a senha, informam que um funcionário irá recolher o cartão. Com a senha e cartão bancário da vítima os golpistas realizam saques, compras e também transações com máquinas próprias de cartões de crédito e débito.

No caso de Andradina, o policial civil assumiu a conversa e combinou a entrega do cartão. Quando o golpista chegou, de moto, inclusive usando um crachá falsificado da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), foi detido pelos policiais civis que estavam de campana. O acusado confessou o golpe e disse que no quarto do hotel onde estava hospedado havia máquinas de cartões de crédito, e cartões que pegou das últimas vítimas. Ele disse que é orientado a destruir os canhotos e os cartões assim que consegue aferir o maior lucro possível e, assim que o cartão é bloqueado, ele faz o descarte.

O acusado ainda confirmou ter aplicado vários outros golpes em Três Lagoa (MS). O motoboy afirmou que recebia R$ 200 a cada golpe que dava certo. No quarto do hotel foram apreendidos canhotos que somavam mais de R$ 20 mil em transações nas máquinas de cartão. Ele foi preso em flagrante e ficou à disposição da Justiça.